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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

"DIZEM QUE O MINISTRO PIMENTEL ENTREGOU O CARGO E DILMA NÃO ACEITOU"


Afinal, que serviços o ministro Pimentel prestou à empresa ETA? O caso se complica e fica parecendo que as notas fiscais apenas esquentaram faturamento da consultoria.

Carlos Newton
O cacique-deputado Mário Juruna tinha razão. Depois que inventaram o gravador, as autoridades deveriam ser mais cuidadosas, especialmente quando se aventurarem no mundo dos negócios. Hoje em dia, com os celulares funcionando como gravadores, a situação ficou ainda pior.
O repórter Thiago Herdy, de O Globo, está usando o velho sistema do Juruna para demolir a defesa do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, no tráfico de influência exercido por sua empresa de consultoria, a bem-sucedida e nebulosa P-21 Consultoria e Projetos Ltda.
Herdy conta que, na quarta-feira, os sócios da ETA Bebidas do Nordeste negaram ter contratado os serviços de consultoria do atual ministro do Desenvolvimento. A conversa com um deles, Roberto Ribeiro Dias, foi gravada pelo jornalista.
Consta aqui o pagamento de duas notas, uma de R$ 60 mil e outra de R$ 70 mil”, disse Herdy. E o sócio da empresa afirmou:
“Ih, rapaz, esse negócio é muito estranho. É valor muito alto para o trabalho que a gente tinha. Tem alguma escusa, tentaram esconder alguma coisa.( ..) Agora, com o que você me falou aí, eu já me assustei. Não é compatível para o negócio. O que a gente fazia, de vez em quando, era contrato de R$ 10 mil, R$ 15 mil para meninas fazerem propaganda em jogo do Sport com o Santa Cruz. A gente não tinha condições de fazer nada muito diferente disso”, assinalou, acrescentando que o pagamento de R$ 130 mil nem era compatível com as atividades da empresa e que não se lembrava de Pimentel prestando serviços à ETA.
Ontem à noite, uma reviravolta: o atual administrador da ETA Bebidas do Nordeste, Leonardo Lopes Coelho, divulgou uma nota de quatro linhas. Nela, informa que a empresa teria contratado a P-21 Consultoria e Projetos Ltda para “prestação de serviços de análise econômico-financeira e mercadológica de seu plano de investimentos”, por R$ 130 mil.
Pouco antes, Lopes ligou para o repórter do GLOBO, avisando que a empresa enviaria uma nota sobre a consultoria. O jornalista pediu que ele lesse o comunicado, antes de enviar a nota, o que foi feito. Questionado se o texto não explicaria a razão da mudança de versão, respondeu que não. E ainda avisou que ninguém poderia conceder entrevista com mais esclarecimentos:
“A única coisa que eu posso te falar é sobre a nota da empresa. É a única coisa que eu tenho para te falar”, repetiu. E a contratação da consultoria de Pimentel teria se realizado por meio de duas parcelas, pagas à P-21 em 2009: a primeira em maio, de R$ 70 mil, e a segunda em julho, de R$ 60 mil.
Traduzindo tudo isso: a fábrica ETA nem atuava em Belo Horizonte. A única ligação da empresa com Minas Gerais é através de um de seus sócios, Eduardo Luis Bueno, que é dono de outra empresa condenada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas por doações ilegais para campanhas políticas em 2006.
Voltando a fita do gravador do Juruna: como o sócio Roberto Ribeiro Dias confirmou que não houve prestação de serviços pela empresa de “Pimentel” e até comentou que a ETA nem tinha condições de pagar R$ 130 mil a nenhuma consultoria, fica evidenciado que as duas notas fiscais foram emitidas para esquentar faturamento da empresa de Pimentel, e sua fábrica de refrigerantes também atuaria como empresa de lavanderia. É a única explicação.

PIMENTEL REPETE PALOCCI

Sem ter como se justificar, o ministro Fernando Pimentel repete a estratégia de defesa usada pelo então chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, e que não deu certo, como todos lembram.
Pimentel diz apenas que dispõe das notas fiscais e que os impostos foram pagos, como se fosse apenas um problema de ordem fiscal, quando na verdade o que se discute é a existência de algo muito mais grave – tráfico de influência e improbidade administrativa.
A assessoria do ministro foi procurada desde o início da manhã de ontem pelo repórter Thiago Herdy, com solicitações de entrevistas e explicações a respeito das atividades da P-21. No início da tarde, informou que, provavelmente, o ministro se posicionaria por meio de nova nota oficial, a ser divulgada em poucas horas. No meio da tarde, informou que não haveria nota e que, em lugar disso, a ETA divulgaria um “release” para O Globo.
A assessoria foi novamente contactada à noite, depois que Pimentel se reuniu com a presidente Dilma Rousseff. A informação então foi que ele responderia a perguntas enviadas pelo jornal. Minutos depois, a assessoria enviou e-mail, com uma linha, repetindo as informações da nota divulgada na quarta-feira, dizendo que o ministro “confirma a prestação do serviço e reitera que as notas fiscais foram emitidas e os impostos recolhidos”.
Pimentel não quis responder por que omitiu a prestação de serviços à ETA, quando foi questionado sobre suas atividades como consultor, no início da semana. Não quis dizer se viajou a Pernambuco para prestar o serviço, ou se o fez de Belo Horizonte. Negou-se a falar com quem manteve contato durante o serviço prestado à ETA, e se seria capaz de se lembrar do faturamento médio mensal da ETA na época da consultoria. Nem respondeu se conhece Eduardo Luis Bueno, sócio da ETA e dono de outra empresa condenada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas por doações ilegais para campanhas políticas.
O ministro, se bebesse, estaria com amnésia alcoólica. Se não bebesse, estaria com amnésia política. De toda forma, seu estado inspira cuidados.

Trafico de influência do ministro Fernando Pimentel cada vez se complica mais.

A Folha de S. Paulo colocou uma tropa de choque para levantar os podres da “consultoria” do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, que está se tornando o Antonio Palocci na bola da vez. O jornal escalou três repórteres da pesada para cobrir o assunto: Catia Seabra, de São Paulo, que foi a Belo Horizonte se juntar a Paulo Peixoto, enquanto Breno Costa faz a retaguarda em Brasília.
E o caso está tendo desdobramentos. Otílio Prado, sócio do ministro Fernando Pimentel na P-21 Consultoria, Otílio Prado já entregou o cargo de assessor da Prefeitura de Belo Horizonte. Ele pôs sua cadeira à disposição na noite de quarta-feira, após uma conversa com o prefeito Márcio Lacerda.
Incomodado com a exposição sofrida com a revelação de que Otílio acumulava o cargo na prefeitura com a participação na consultoria de Pimentel, Lacerda aceitou prazerosamente a demissão, sob o argumento de que era uma decisão de foro íntimo.
A situação do sócio de Pimentel se complicou desde que veio à tona a informação de que a P-21 recebera R$ 400 mil de empresa que tem seu filho entre os sócios. A QA Consulting, do filho de Otílio, teve contrato com uma empresa da Prefeitura, a Prodabel, durante a gestão de Pimentel na prefeitura, no valor de R$ 173,8 mil.
Agora, a Prodabel é chefiada por Paulo Moura, ex-secretário de Governo do petista, vejam como tudo se encaixa. Na gestão de Moura, a Prodabel, que trabalha com informática, firmou contrato de um ano com a QA Consulting, em agosto de 2010, no total mensal de R$ 15.700. Com esse valor, não é exigida licitação.
Otílio Prado, filiado ao PSB, chegou à Prefeitura de BH pelas mãos do ex-prefeito Célio de Castro, no final dos anos 90, e se manteve no gabinete até ontem, notem que se trata de um grande profissional do contorcionismo político, digno de entrar para o Cirque du Soleil.
Com Pimentel, que era vice de Castro e o sucedeu após sua morte, Otílio permaneceu no gabinete do prefeito e se tornou muito próximo dele. Foi seu secretário particular na prefeitura e, terminado o mandato, em 2009, passou a ser sócio de Pimentel na consultoria.
Com a chegada de Marcio Lacerda (PSB) à prefeitura, também pelas mãos do ministro, um de seus padrinhos políticos, Otílio foi mantido no gabinete como assessor, cargo que acumulou com a sociedade com Pimentel, segundo publicou o jornal “O Globo”.
Em entrevista à Folha antes de pedir exoneração, o ex-sócio do ministro havia dito não ver conflito de interesses entre suas atividades na prefeitura e os serviços prestados para firmas interessadas em decisões do município.
Na entrevista, ele se recusou a informar detalhes das consultorias prestadas e jogou para Pimentel, que saiu da empresa em dezembro passado, a responsabilidade por fornecer informações sobre a P-21.
Sobre ser pai do dono da QA Consulting, disse: “Meu filho não tem nada a ver comigo. Não é o mesmo CPF, é?”, perguntou, mostrando que a desfaçatez não tem mesmo limites. E desligou o telefone afirmando estar “ocupado”, quando a reportagem perguntou se ele influenciou na celebração de contratos de mais de R$ 90 milhões da prefeitura com a empreiteira Convap, outra cliente da P-21.
Com esse nome de P-21, a “consultoria” só podia mesmo se meter em escândalos, pois faz lembrar a famosa P-2, loja maçônica que levou o Banco Ambrosiano à falência e deixou em maus lençois o Vaticano em 1982, quando o recém-criado PT ainda era um partido ético.


Pimentel entregou o cargo, Dilma não aceitou




À margem da versão oficial de que só trataram de assuntos ligados ao desenvolvimento, à indústria e ao comércio exterior, como terá sido, na realidade, o despacho de ontem entre a presidente Dilma e o ministro Fernando Pimentel?
Há quem imagine que o ministro, mesmo negando qualquer malfeito em seu anterior papel de consultor de empresas, e em função de sua longa amizade com a presidente, teria colocado o cargo à disposição. Claro que Dilma não aceitou, nem quer ouvir falar da hipótese de dispensar mais um auxiliar, especialmente esse ao qual está ligada por fortes laços de companheirismo. Militaram juntos na resistência ao regime militar, sendo Pimentel um dos poucos auxiliares escolhidos por Dilma sem interferência do Lula ou do PT.
Se verdadeira a versão, tratou-se de uma demonstração de caráter por parte do ministro. E de uma espécie de “basta” da presidente diante da cascata de demissões que vem marcando seu governo. Tudo no condicional, é óbvio, porque se fatos novos surgirem deixando pior ainda a já combalida P-21 Consultoria, a conversa terá de ser outra.
Parece injusta a comparação de situações entre o ex-ministro Antônio Palocci e Fernando Pimentel. Afinal, como chefe da Casa Civil, Palocci negou-se a dar os nomes de seus clientes, preferindo exonerar-se. Devem ter sido clientes explosivos, daqueles que manipulam milhões às custas dos cofres públicos. Com Pimentel, ao menos até agora, tem sido diferente: ele forneceu o que chamou de lista completa de seus fregueses.
Em suma, o palácio do Planalto quer ver encerrado o episódio das denúncias contra o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Se vai conseguir, convém aguardar.

SOBRE A ÉTICA

Mil correntes filosóficas tentaram explicar a ética, desde os pré-socráticos, passando por Aristóteles, Bacon e Maquiavel até Kant, Nietsche e Marx. Discute-se até hoje se a ética existe separada do indivíduo, ou se este nasce com o senso ético ou o adquire pela experiência.
O problema é que de uns tempos para cá, no Brasil, ética passou a produto em falta nas prateleiras dos governos. Cada vez com mais intensidade, em especial a partir da Nova República, ministros confundem o público com o privado. Julgam-se no direito de traficar influência, depois que deixam de ser ministros, ou até durante suas gestões. Centenas de malfeitos escaparam da vigilância da imprensa, ainda que ultimamente se torne mais difícil escondê-los.
Ministros fizeram suas festas particulares de enriquecimento com as privatizações, assim como ministros foram flagrados recebendo propina, favorecendo empresas de correligionários, celebrando contratos fajutos, prestando consultorias duvidosas e sucedâneos. Para eles, a ética não existe como forma de utilização da liberdade individual para chegar a um objetivo último, seja sentir-se bem consigo mesmo, fazer o mundo funcionar melhor, ganhar o Reino dos Céus ou obrigar o vizinho do lado a também ser ético.

DESVIARAM O DESVIO

Deputados visitaram recentemente as obras, ou o que seriam as obras, de desvio das águas do rio São Francisco. Voltaram estarrecidos. Na maioria das frentes de trabalho não se trabalha. Máquinas enferrujam nos canteiros, os tais milhares de empregos foram para o espaço e o Velho Chico continua caindo no mar sem sequer respingar nos estados onde deveria correr. O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, pouco pode fazer. O projeto deixou de ser prioritário, na prática. Virou uma espécie de trem-bala, ou será o trem-bala que está virando o desvio do São Francisco?

NOVA MOEDA DE TROCA

Os últimos embaixadores do Brasil escolhidos fora da carreira diplomática foram Itamar Franco, em Roma, e Paes de Andrade, em Lisboa, no primeiro mandato do presidente Lula. Depois, o governo cedeu à pressão do Itamaraty e veio a decisão de que nossos embaixadores teriam obrigatoriamente de pertencer aos quadros do ministério das Relações Exteriores. Há quem discorde, até hoje, do não aproveitamento de cidadãos capazes de prestar bons e até melhores serviços ao país do que os diplomatas, mas trata-se de uma decisão de estado.
Pois não é que na singular base parlamentar do governo tem gente prestes a colocar diante da presidente Dilma uma espécie de compensação pelos ministérios não conseguidos, as diretorias de estatais não preenchidas e até as emendas ao orçamento não liberadas? Se determinados ministros foram apresentados aos assuntos de seus ministérios apenas no dia da posse, não fariam pior dirigentes partidários se ocupassem determinadas embaixadas sem muita expressão, mas com mordomias garantidas. Melhor esperar para ver se pega esse novo tipo de pressão, ou nova moeda de troca política.


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***FRANCIS DE MELLO***

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