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domingo, 18 de dezembro de 2011

AUTORES DAS NOVELAS SE IRRITAM COM A INTERFERÊNCIA DO PÚBLICO"


Interferência do público nas novelas deixa autores irritados


Parte da imprensa adora fantasiar e criar soluções mirabolantes sobre a vida de pessoas que nem existem, diz Aguinaldo Silva. Foto: Calé / Revista Época Negócios/Divulgação
"Parte da imprensa adora fantasiar e criar soluções mirabolantes sobre a vida de
pessoas que nem existem", diz Aguinaldo Silva

Foto: Calé / Revista Época Negócios/Divulgação
Novelas são obras totalmente ficcionais. Porém, em alguns casos, a forte ligação entre o público e a trama ultrapassa a fronteira entre imaginação e realidade. Nessa confusão, onde a audiência está na ordem do dia, casos peculiares vem à tona: atores sofrem represálias pela conduta de seus personagens, a mídia cria factoides e trata personagens como se fossem pessoas reais e autores precisam lidar com a pressão para defender a sinopse original de suas obras. "Parte da imprensa adora fantasiar e criar soluções mirabolantes sobre a vida de pessoas que nem existem. Sempre disse que minha novela só teria um personagem gay", aponta Aguinaldo Silva, autor deFina Estampa.
O discurso do autor refere-se ao possível romance entre a médica Daniele, de Renata Sorrah, e Esther, de Julia Lemmertz. Desde a estreia do folhetim, foi dado como certo em alguns veículos o envolvimento amoroso entre as duas, fato desmentido muitas vezes por Aguinaldo. "Não basta só inventar coisas a respeito dos atores, os personagens também entram na roda. Não quis dar meus palpites sobre essa polêmica, mas agora todos podem ver que a informação não procede", ressalta Julia. Para Ricardo Linhares, parceiro de Gilberto Braga em Insensato Coração, fofocas com personagens nascem da necessidade de alguns setores da mídia em antecipar a história. "Quem sabe da novela são os autores. A força de algumas tramas vende notícias curiosas. Sejam elas reais ou não", analisa o autor, que durante a última novela, entre alguns casos, teve de desmentir os boatos de que a masculinizada Aracy, de Cristiana Oliveira, era lésbica.
Não é de hoje que personagens têm suas tramas publicadas com certo tom de realidade. Em Bandeira 2, de 1971, o bicheiro Tucão, de Paulo Gracindo, era um sucesso de público. No entanto, em plena ditadura militar, a novela sofreu com a censura e teve de matar o personagem. Um jornal carioca que tinha acesso ao roteiro de gravação do folhetim deu a morte de Tucão como manchete de capa, os leitores entenderam que o ator Paulo Gracindo tivesse morrido e a matéria levou uma multidão ao cemitério da Penha - bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro -, locação para a cena do enterro do personagem. "Foi uma comoção. Naquela época, o envolvimento do público com a história da novela era muito intenso. Foi muito louco até para o elenco, parecia que aquilo era real", conta Elizangela, intérprete da Thaís, filha de Tucão.
A seriedade com que certos personagens são encarados pelo público também já levou atores à situações incômodas. Desde a agressão física sofrida por André Gonçalves na época de A Próxima Vítima, de 1995, onde ele dava vida ao homossexual Sandrinho, à alcunha de violento associada a Dan Stulbach por conta das maldades do Marcos, de Mulheres Apaixonadas, de 2003. "Na época, eu até evitava ir a lugares com muita gente. A novela fazia sucesso e o personagem era muito odiado. Uma senhora me apertou tanto que meu braço ficou roxo", relembra Dan, sobre o personagem que perseguia e espancava a ex-esposa com uma raquete de tênis.
A repercussão dos folhetins é o melhor termômetro sobre o desempenho de uma novela. E mesmo que sutis ou não assumidas, quando uma história não vai bem no ibope e nas pesquisas com telespectadores, mudanças na trama ou nas características de alguns personagens são sempre providenciadas. Em contrapartida, alguns autores desistem do projeto inicial de suas obras para afagar o público que o prestigia. "O sucesso pode fazer com que a novela tenha um final mais ao gosto do freguês", acredita Maria Adelaide Amaral, que no remake de Anjo Mau, de 1997, depois de inúmeras cartas e ligações do público para a Central Globo de Atendimento, acabou poupando a vida de Nice, de Glória Pires, que na primeira versão do folhetim, morre durante o parto.
Destino intacto 

O voz do povo tem poder. No entanto, alguns autores não estão nem aí e mantêm seus personagens de acordo com a ideia inicial. Apesar da súplica dos telespectadores, Walcyr Carrasco por duas vezes matou personagens importantes. Em Alma Gêmea, de 2005, as vítimas foram o casal de protagonistas Serena e Rafael, de Eduardo Moscovis e Priscila Fantin. Já na recém-terminada Morde & Assopra, mesmo tendo que fazer inúmeras modificações para a trama engrenar na audiência, o autor manteve a morte da sofrida Dulce, de Cassia Kiss Magro, um dos poucos personagens de destaque do folhetim. "A morte não é uma punição. Acho que é um final bem bonito e espiritualizado. Mas tive de ler e ouvir muitas reclamações por causa desses desfechos", conta o autor.
Glória Pires também segurou a história de Insensato Coração, mas a grande repercussão do sofrimento e das maldades de Norma não livraram a personagem de um fim trágico. Mesmo com a torcida pela "quase" vilã ganhando as redes sociais, o final foi mantido. "A simpatia do público com ela é ligada ao fato de ela também ser vítima. Mas o desfecho dramático dela foi a melhor opção", acredita Ricardo Linhares.


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***FRANCIS DE MELLO***

2 comentários:

  1. Se não podermos intervir em alguns atos e/ou atitudes que nos deixe tristes em essas novela que vemos todos os dias, as no

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  2. Essa de o público não poder opinar, é coisa chato demais.

    Tem que ter nossa participação, sim

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