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terça-feira, 15 de novembro de 2011

(29º Presidente) "RELEMBRE OS PRESIDENTES DE 122 ANO DE REPÚBLICA"

Ernesto Geisel, (15 de março de 1974 a 15 de março de 1979)


Ernesto Geisel

Durante o governo de Castelo Branco, Geisel havia investigado denúncias de tortura em unidades militares no Nordeste e se posicionado contra a candidatura de Costa e Silva para a sucessão. Presidente da Petrobras durante o governo Médici, Geisel foi eleito com 84% dos votos do Congresso contra a candidatura de Ulysses Guimarães, do MDB, e iniciou o processo de abertura política, a despeito dos reclames dos militares linha-dura, extinguindo o AI-5 e reatando as relações diplomáticas com a China comunista. Sua gestão foi responsável, ainda, pela criação do Mato Grosso do Sul, desgarrado do território de Mato Grosso, e pela aceleração das obras de construção da Usina de Itaipu, a maior do mundo à época. 

O afastamento de Geisel em relação aos colegas de farda que o antecederam incluiu sua política externa, e o Brasil foi o primeiro país a reconhecer a independência da Angola, passando a se aproximar da África e da Europa em rompimento com a política de subserviência aos interesses dos Estados Unidos. 

Curiosidade: Segundo o jornalista Elio Gaspari, a família de Geisel, que viera da Alemanha, era pobre e só pôde lhe pagar os estudos após seu pai, Augusto Geisel, ganhar 100 contos de réis na loteria em 1919. O prêmio equivalia ao salário de 10 anos de um trabalhador de classe média.
Foto: Portal Brasil / Divulgação
Governo Geisel: os primeiros sinais de abertura política e a crise da ditadura.

O Governo de Ernesto Geisel foi marcado pela necessidade de se administrar o avanço das oposições legais frente os sinais de crise da ditadura. O processo de eleição do novo presidente foi marcado por eleições indiretas onde o MDB lançou os nomes de Ulysses Guimarães e Barbosa Lima Sobrinho enquanto “concorrentes” do candidato do ARENA. Mesmo sabendo que não chegariam ao poder, a chapa do MDB correu em campanha denunciado as falhas do regime militar e a opressão do sistema. 
Em face aos problemas enfrentados naquela época, o governo Geisel convocou Mario Henrique Simonsen para assumir o Ministério da Fazenda. Anunciado o II Plano Nacional de Desenvolvimento (II-PND), o governo buscava conciliar a retomada do crescimento econômico com a contenção da onda inflacionária. Dando prioridade ao desenvolvimento de bens de capital, o novo governo investiu principalmente nas empresas estatais. 
Entretanto, as reformas não repercutiam o efeito esperado, pois a economia nacional não tinha condições próprias para se recuperar de seus problemas. Assim como o Brasil sofreu os efeitos da crise do petróleo, as grandes potências econômicas também passavam por um momento de retração generalizada. Em meio a uma economia enfraquecida, os setores de oposição política oficial ganhavam maior força de atuação política. 
A busca por reformas foi sentida nas eleições parlamentares de 1974, onde mais de 40% das cadeiras do Congresso Nacional foram ocupadas por integrantes do MDB. Os militares da chamada “linha dura” começaram a perceber a desaprovação popular frente o regime. Em contrapartida, outros integrantes do regime defendiam a necessidade de flexibilização que pudesse dar maior longevidade ao governo militar. 
O contexto marcado por contradições acabou incitando os setores mais radicais do regime a cometerem atos de extremo autoritarismo. Em outubro de 1975, o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado nos corredores do II Exército de São Paulo. Segundo as fontes oficiais, o jornalista teria se matado na prisão. No entanto, as fotos do incidente estranhamente mostravam seu pescoço amarrado a um lençol e com os pés ao chão. 
O episódio acabou dando forças para que diversas entidades representativas se unissem em torno de duas grandes reivindicações: a anistia aos presos políticos e a realização de uma nova Constituinte. Entre as entidades que encabeçaram essas lutas se destacavam a Ordem dos Advogados do Brasil, a Associação Brasileira para o Progresso da Ciência, a Associação Brasileira de Imprensa, Comitê Brasileiro pela Anistia, as Comunidades Eclesiais de Base e a União dos Estudantes do Brasil. 
Projetando uma ampliação da representação política dos setores de oposição, o Governo Geisel lançou, em 1977, o chamado pacote de abril. Esse pacote promoveu uma desarticulação política sustentada pelas premissas estabelecidas pelo Ato Institucional nº 5 (AI-5). O Congresso Nacional foi fechado, ao mesmo tempo, o sistema judiciário e a legislação foram alterados. As campanhas eleitorais foram restritas, o mandato presidencial passou para seis anos e as leis seriam aprovadas por maioria simples. 
Com o isso, a ditadura conseguiu garantir uma maioria de integrantes políticos favoráveis à situação. Reafirmando seu projeto de reabertura política “lenta e gradual”, o general Geisel afastou os radicais do governo para abrir portas à eleição de João Batista Figueiredo. Ao fim de seu mandato, Ernesto Geisel tomou uma última atitude que representou bem o tom conservador de sua abertura política: revogou o AI-5 e, logo em seguida, deu ao próximo presidente o direito de decretar Estado de Sítio a qualquer momento.
O Governo de Ernesto Geisel


 A ditadura militar que se instalou a partir de 1964 no Brasil, deflagrou um momento de transformações na sociedade brasileira, causando sérios danos a todos os setores políticos e econômico, social e religioso. O governo de Castelo Branco se efetiva como forma estrutural do processo ditatorial que se implantou no Brasil, onde foram criadas os Altos Inconstitucionais que deram legitimidade ao processo militar do governo. No governo de Costa e Silva, as coisas não mudaram muito, e o fato que mais marcou esse governo foi à criação de Ato Inconstitucional de n° 5, que a partir de sua promulgação, formou uma grande arma burocrática e autoritária que a sociedade brasileira conheceu. Também foi criada nesse governo a instituição de proteção ao índio a FUNAI e o MOBRAL que tentou amenizar o analfabetismo no Brasil. O governo Médici foi talvez o mais cruel, pois a ala repressiva dos militares que faziam parte do governo se expandiu, e vários assassinatos foram cometidos, repressão mais intensa, controle sobre órgãos da imprensa e um plano de governo que buscou o crescimento econômico chamado de milagre econômico , com base no Estado, nas multinacional e grande parte do capital nacional. Embalado pelo consumismo e pelo futebol tricampeão do Brasil em 1970. O final do governo Médici demonstrou uma série de problemas que foram se acumulando do decorrer de sua gestão. A crise energética foi o golpe final no governo, causando uma recessão mundial que repercutiu no Brasil de forma intensa. O aumento repressivo se dá de acordo as manifestações sociais e a depressão social que afetou a sociedade brasileira em todos os seguimentos nacionais. Nesse governo também começa a se movimentar o sucessor de Médici; os setores ideológicos militares contra a linha dura do governo, favorecendo assim a Geisel na sucessão presidencial. O governo Geisel tentou formar uma unidade de poder político, buscando legitimar seu governo diante da sociedade brasileira, para isso, deu prioridade a um poder presidencial, e colocar o exército em seu lugar, na segurança do Brasil. Assim houve uma pequena abertura política e centrou as atenções dos militares em seu governo, deixando os partidos políticos como o MDB e liberais mais a vontade para tentarem formar a democracia retirada em 1964. Uma das metas do governo era frear o poder dos militares da linha dura, que praticavam as repressões, visto que, atuavam com poder distinto e altamente autoritário contra a sociedade brasileira. O governo tinha como princípio controlar o militarismo, para governar com poder absoluto presidencial. Mas para isso, foi abrigado a uma pequena abertura política. A candidatura de Ulisses Guimarães e Barbosa Lima sobrinho, foi o reflexo do afrouxo político, mas não podemos nos enganar, o governo Geisel foi também repressivo e violento. Com a prática da flexibilização política , buscava recuperar o prestígio do governo perante a sociedade, com o slogan o máximo de desenvolvimento possível, com o mínimo de segurança indispensável e também com a proposta da distenção , que buscava ampliar o diálogo honesto para obter a credibilidade da sociedade. Na economia, a alta no custo de vida foi constante e o salário achatado. Buscava-se conter a inflação que a crise energética provocara, mesmo assim o governo lança o seu plano econômico, o II Plano Nacional de Desenvolvimento, que visava evitar a importação e efetivar a auto-suficiência brasileira em insumos básicos. Para isso foram feitas obras como as hidroelétricas de Itaipu e tucuruí e a usinas atômicas de Angra I. Dentro desse mesmo entendimento econômico, duas características marcaram o governo de Geisel, o alastramento de empresas e repartições estatais conjugadas com muitos escândalos financeiros; esses ofereciam cargos e repartições para os militares que faziam parte da linha dura, como forma de atrai-los para a reserva com salários muito altos. Assim as manifestações públicas foram se consumando dentro da sociedade, e muitas repressões foram feitas contra cidadãos, pois a linha dura deixou de lado os partidos políticos e liberais e começaram a atacar idosos e mulheres, causando um descontentamento social. Outros setores como a Igreja, OAB, imprensa, sindicatos, foram se manifestando e buscando a democracia e uma igualdade social. Aspectos Econômicos No governo de Ernesto Geisel houve constante alta no custo de vida, arrocho dos salários e crescente concentração de renda. A idéia inicial da nova equipe econômica de Geisel era tentar manter taxas de desenvolvimento elevadas, combinadas com o ajustamento gradual do país aos reflexos da retração internacional provocada pela crise energética de 1973-74. Para a manutenção do crescimento econômico, foi lançado o Segundo Plano de Nacional de Desenvolvimento (II PND) em 1974. O objetivo desse II PND era alcançar uma sólida infra-estrutura econômico-industrial para propiciar o desenvolvimento que transformaria o Brasil em "potência emergente". Os maiores esforços do plano estavam centrados na expansão das indústrias de bens de produção. Tais esforços eram inegavelmente uma tentativa de afrontar a crise latente, naquele momento já manifestada na economia mundial, através da substituição das importações. Portanto, a prioridade industrial deixava de ser a produção de bens de consumo duráveis para se deslocar para a produção de bens básicos, bem como o aparato infra-estrutural. Projetos gigantescos foram feitos como Angra I que foi um dos resultados do acordo nuclear com a Alemanha. A decisão brasileira de realizar um importante programa nuclear de finalidades pacíficas, fundamentou-se numa avaliação cuidadosa das necessidades energéticas do país e das opções possíveis para satisfazê-las. A primeira crise do petróleo tinha vindo demonstrar que o Brasil não poderia continuar seu desenvolvimento econômico a base de um combustível que se tornaria caro e de disponibilidade duvidosa. Diante da necessidade de definir sua política nuclear o Brasil optou pela tecnologia dos reatores a água leve e Urânio enriquecido com base na experiência de países tecnologicamente mais adiantados como Estados Unidos, Alemanha, França e Japão. Ao fazer a opção técnica era essencial levar em conta, também, a necessidade de assegurar a plena transferência para o Brasil das tecnologias envolvidas em cada uma das áreas do ciclo do combustível correspondente ao tipo de reator adotado. Tomada à decisão o Brasil procurou obter dos países que possuem a tecnologia de reatores a água leve/urânio enriquecido e das diversas etapas do ciclo combustível correspondente o necessário apoio à execução do programa nuclear brasileiro. Quando a Casa Branca recusou-se a colaborar com o projeto nuclear brasileiro, Geisel não vacilou em assinar um Acordo Nuclear com a Alemanha Ocidental. Frente às crescentes pressões estadunidenses para desistir do Acordo, particularmente intensificadas após a emergência da política de direitos humanos da administração Carter em 1977, Geisel rompeu o Acordo Militar Brasil - Estados Unidos, vigente desde 1952. A República Federal da Alemanha reuniu as condições que tornaram possível o entendimento, pois atendia à preocupação fundamental do Governo que era a de obter a transferência da tecnologia indispensável e adequada para implantação de uma indústria nuclear autônoma para fins pacíficos, abrangendo o ciclo completo do combustível. É importante salientar que durante a negociação do Acordo o enriquecimento do urânio seria feito pelo processo de ultra centrifugação, cuja patente era mantida pela empresa Urenco, que pertencia à Alemanha, Inglaterra e Holanda. Na última hora, por pressão dos Estados Unidos a Holanda vetou a transferência daquela tecnologia. Para poder completar o ciclo do combustível foi adotado o processo de enriquecimento conhecido como jet nozzle a ser desenvolvido pela empresa Nustep, uma organização pertencente 50% à Steag e 50% à Nuclebrás (Empresas Nucleares Brasileiras S.A). O processo do jet nozzle se demonstrou anti-econômico, em termos do consumo de energia elétrica. Em paralelo a Marinha Brasileira, através do seu Centro Tecnológico de São Paulo, desenvolveu com sucesso o método da ultracentrifugação que será utilizado pelas Indústrias Nucleares Brasileiras (INB) para enriquecer o combustível destinados as Usinas de Angra 1 e Angra 2. Na necessidade de incrementar ainda mais o parque industrial, criando tecnologia de ponta e buscando novos parceiros comerciais, inclusive nos governos socialistas da China continental e das antigas colônias portuguesas da África, o governo Geisel acabou sofrendo em oscilações recessivas, além de um significativo crescimento da dívida externa, diminuindo a acumulação interna e as reservas cambiais. As relações diplomáticas estabelecidas com a China foi um dos passos tomados pela diplomacia denominada Pragmatismo Responsável e Ecumênico. Nesse acordo o Brasil reconhecia a República Popular da China como o único governo legal da China, que Taiwan é parte inalienável da República Popular da China. O Pragmatismo Responsável encerrou o ciclo de alinhamento imediato aos Estados Unidos. Geisel implantou também o Programa Nacional do Álcool (Pró-Álcool). Esse foi um programa de substituição em larga escala dos combustíveis veiculares derivados de petróleo por álcool, financiado pelo governo do Brasil a partir de 1975 devido a Crise do Petróleo em 1973 e mais agravante depois da crise de 1979. O programa substituiu por álcool etílico a gasolina, o que gerou 10 milhões de automóveis a gasolina a menos rodando no Brasil, diminuindo a dependência do país ao petróleo importado. A decisão de produzir etanol a partir da cana-de-açúcar por via fermentativa foi por causa da baixa nos preços do açúcar na época. Foram testadas outras alternativas de fonte de matéria-prima, como por exemplo, a mandioca. O Programa começou a ruir na medida em que o preço internacional do petróleo baixava, tornando o álcool combustível pouco vantajoso tanto para o consumidor quanto para o produtor. Para agravar o problema, o preço do açúcar começou a aumentar no mercado internacional na mesma época em que o preço do petróleo baixava, fazendo com que fosse muito mais vantajoso para os usineiros produzir açúcar no lugar do álcool. Aspectos políticos O general Ernesto Geisel tomou posse juntamente com seu vice Adalberto Pereira dos Santos no dia 15 de março de 1974, o que representava a volta o grupo castelista ao poder. O homem forte de seu governo foi o general Golbery do Couto e Silva, que também era gaúcho, importante articulador político, chefiou a Casa Civil além do governo Ernesto Geisel, o governo de João Figueiredo. Foi o criador dos arquivos secretos do Serviço Nacional de Informações (SNI), nos governos militares. Realizou uma política de austeridade, procurando conciliar o equilíbrio financeiro e o crescimento econômico. O Brasil enfrentava uma crise econômica durante o governo de Geisel, com o intuito de conseguir o apoio da sociedade, Geisel se compromete em dar inicio a abertura política através da "distensão lenta, segura e gradual . A primeira medida foi à permissão de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, Porém o partido de oposição Movimento Democrático Brasileiro (MDB) ganhou as eleições parlamentares. O MDB na eleição de 1974 elegeu 60% das vagas, mas não elegeu todo Senado, pois nesta eleição só se elegia 1/3 do Senado, (alterna de 4 em 4 anos, 1/3 depois 2/3 do Senado). Em 1976 implanta a Lei Falcão, feita pelo ministro da Justiça, que é a favor da Arena, pois o crescimento do MDB ameaça o governo Geisel, assim, o presidente aprova essa lei, um ato conservador, reacionário, agrada a extrema direita. Essa Lei proibia os candidatos de falarem no horário político, ou seja, não podiam mais fazer campanha política de forma aberta, mostram só o número e o voto. Em 1977, prevendo nova vitória da oposição nas eleições seguintes, Geisel fecha o Congresso Nacional, cassa parlamentares e decreta o Pacote de Abril, que tinha como objetivo claro conter a vitória da oposição e a organização popular. Para isso, ampliou o mandato presidencial para seis anos; criou a figura do "senador biônico", nomeado pelo governo e não por meio de eleições, entre outros feitos. O movimento estudantil voltava às ruas, promovendo assembléias e passeatas. Os estudantes não limitaram suas reivindicações à área educacional. Foram solidários com as lideranças operárias na luta contra o regime militar. A primeira grande manifestação de massa acontece no dia 5 de maio de 1977, organizada pelo Movimento Estudantil no Largo de São Francisco, no centro de São Paulo, reuniu mais de 10 mil pessoas, aplaudidos pela população, mas cercados de perto pela tropa de chope da PM e por policiais do DOPS. No dia 22 de setembro, no ato de encerramento do III Encontro Nacional de Estudantes, realizado na PUC/SP, ocorreu o ato mais grave de violência policial contra os estudantes. Inúmeros assassinatos e atos terroristas foram realizados contra pessoas e instituições que lutavam pela democracia. Tudo isso era escondido pelo Exército. As mortes eram vistas como suicídios e os atos terroristas, nunca explicados. Várias entidades se destacaram nas campanhas por mais liberdade e justiça, entre elas: a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Igreja. Geisel tomou algumas medidas liberalizantes e outras repressivas, na tentativa de combinar o apoio da sociedade e dos militares respectivamente. Entretanto, a linha dura do governo ainda tinha muito fôlego. Enquanto isso, alguns sindicatos se reorganizavam e ganhavam força. Em 1978, foram proibidas greves nos setores estratégicos. Em contrapartida, foi suspensa a censura prévia e foram revogados os Atos Institucionais. Em 1978, os operários da fábrica SAAB-Scania, em São Bernardo do Campo, entraram em greve a partir do dia 12 de maio. O movimento se estendeu a outras cidades do Estado de São Paulo e teve repercussão em todo o país, pois era a primeira vez desde 1968, que uma greve de tal proporção ocorria. Surgem algumas lideranças sindicais que com a redemocratização destacam-se politicamente como Antonio Rogério Magri, presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo que foi Ministro do Trabalho do governo de Fernando Collor de Mello; Luis Inácio Lula da Silva que era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, hoje presidente da Republica; entre outros sindicalistas de renome nacional. O mês de outubro foi o pior para Geisel, a linha-dura já tinha um nome para a sucessão, Sylvio Frota, que era ministro do Exército. Frota era inimigo de Golbery, e assumiu o posto quando morte de uma pessoa de confiança de Geisel, o general Dale Coutinho. Sylvio Frota era o porta-voz da linha-dura, anticomunista ferrenho, atacava a imprensa, a Igreja, a OAB e o MDB, em pronunciamentos públicos. No dia 12 de outubro, Geisel recebeu Sylvio Frota no Palácio do Planalto, demonstrando seu descontentamento com a insubordinação e solicitou a exoneração do cargo de ministro do Exército, porém este se nega a cumprir tal ordem, não restando outra alternativa a Geisel a não ser demiti-lo. Mas Sylvio Frota tenta um ultimo recurso, convoca o Alto Comando, para uma reunião em seu gabinete pensando em contestar a decisão do presidente, deu-se mal, pois Geisel já havia conquistado o apoio dos lideres militares. Geisel impõe mais uma vez sua vontade, escolhe o General João Baptista de Oliveira Figueiredo, que era chefe do SNI, como candidato a presidência e para seu vice um civil Aureliano Chaves, ex-lider da UDN mineira, que era deputado federal pela ARENA e governador nomeado de Minas Gerais. Na política externa procurou ampliar a presença brasileira na África e na Europa, evitando o alinhamento incondicional à política dos Estados Unidos. Era evidente o descontentamento da população, exigindo cada vez mais uma mudança no sistema político e no panorama social brasileiro. Casos de Corrupção no governo Caso Lutfala e Atalla, conglomerados de especuladores socorridos pelo regime. Caso Ângelo Calmon de Sá, ministro acusado de passar um gigantesco cheque sem fundos. Caso dos bancos fraudadores como o Halles e Econômico. Empréstimos a fundo perdido para grupos empresariais. Grandes Mordomias dos Ministros e figuras da linha-dura que passaram para reserva com salários astronômicos no Governo Geisel Caso Vladimir Herzog (1937 1975) Incidente político ocorrido no governo de Ernesto Geisel, desencadeando expressivo movimento contra as arbitrariedades praticadas pelos governos militares desde o golpe militar de 1964. Em 25 de outubro de 1975, o jornalista Wladimir Herzog, foi assassinado em São Paulo, quando se encontrava sob custódia de um dos órgãos de inteligência subordinado ao Exército. O laudo cadavérico oficial apontou suicídio. Dom Paulo Evaristo Arns, então Cardeal Arcebispo de São Paulo e Franco Montoro, líder da oposição ao governo no Senado, compareceram ao velório de Herzog no Hospital Albert Einstein. O Culto Ecumênico, em homenagem a Wladimir Herzog aconteceu no dia 31 de outubro de 1975, na Catedral da Sé, em São Paulo, que contou com a presença dos dois líderes religiosos mais odiados pelos militares Dom Paulo Evaristo Arns, Cardeal Arcebispo de São Paulo, e Dom Hélder Câmara, Arcebispo de Olinda e Recife. Participaram também o pastor protestante James Wright e o rabino Henry Sobel. O ato teve a presença de 8 mil pessoas e foi observado de perto um aparato militar, os participantes foram filmados por militares disfarçados de jornalistas. Caso Manoel Fiel Filho (1927 1976) Foi preso no dia 16 de janeiro de 1976, às 12h00min h, por dois homens que se diziam agentes do DOI-CODI/SP, sob a acusação de pertencer ao (PCB). Levado para a sede do DOI/CODI, Manoel Fiel foi torturado e, no dia seguinte, acareado com Sebastião de Almeida, preso sob a mesma acusação. Posteriormente, os órgãos de segurança emitiram nota oficial afirmando que Manoel havia se enforcado em sua cela com as próprias meias, naquele mesmo dia 17, por volta das 13:00 horas. Naquela trágica noite, os parentes que foram até o lnstituto Médico Legal tentar recuperar o corpo do operário morto, sentiram-se pressionados. As autoridades só entregaram o corpo com a condição de que Fiel Filho fosse sepultado o mais rapidamente possível e que ninguém falasse nada sobre sua morte. No domingo, dia 18, às 08h00minh da manhã, ele foi sepultado. Entretanto, segundo os depoimentos dos companheiros de fábrica de Manoel, onde ele foi preso, o calçado que usava eram chinelos, sem meias, contrariando a versão oficial. As circunstâncias da sua morte são idênticas as de José Ferreira de Almeida, Pedro Jerônimo de Souza e Wladimir Herzog, ocorridas no ano anterior. Em documento confidencial encontrado nos arquivos do antigo DOPS/SP seu crime era receber o jornal Voz Operária de Sebastião de Almeida. O assassinato do operário Manoel Fiel Filho, provocou a exoneração do general Ednardo d Ávila Mello, comandante do II Exército, expoente da linha-dura e protetor dos agentes da repressão, iniciando-se o processo de distensão que, quatro anos depois, resultou na abertura política e na anistia. Houve outras mortes sem explicação, talvez o longo braço da repressão também os tenha alcançado: Zuzu Angel, (1921 1976), estilista que teve o filho morto numa prisão da ditadura, transformou-se num símbolo da luta pela liberdade; Juscelino Kubitschek, (1902-1976), ex-presidente brasileiro, articulava oposição ao regime, morre num acidente automobilístico; Carlos Lacerda (1914 1977), jornalista e político, num primeiro momento apóia o golpe, mas é cassado pelo Ato Institucional nº 5, torna-se um opositor, morre ao ser hospitalizado para tratar uma gripe; João Goulart (1918 1976), presidente no momento do golpe, articula junto com Juscelino e Carlos Lacerda, movimento prol democracia, morre no exílio de morte natural , entre outras mortes um tanto suspeitas. Waldir Pires admite envenenamento de João Goulart: "Fleury era um homem capaz de tudo" Deu na Agência Brasil. O ex-ministro da Defesa Waldir Pires considera o relato do ex-agente uruguaio plausível e defende a apuração da denúncia de assassinato de João Goulart. O ex-ministro da Defesa Waldir Pires considera "plausível" o relato do ex-agente uruguaio Mario Barreiro sobre o envenenamento do ex-presidente João Goulart, no exílio argentino, em 1976. Consultor-geral da República no governo Jango, Waldir defende, em entrevista a Terra Magazine, uma apuração "profunda" do Ministério Público. "(o delegado) Sérgio Fleury era um homem capaz de tudo", avalia. A Ordem veio de Geisel Em entrevista à Folha de S. Paulo, no último domingo, Barreiro declarou que a ordem de matar veio do governo Ernesto Geisel (1974-1979), através do delegado do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), Sérgio Paranhos Fleury. Baseada no depoimento do ex-agente da inteligência do Uruguai - preso no Rio Grande do Sul por roubo e formação de quadrilha - e nos rastros da Operação Condor, a família de Jango entrou com uma ação na Procuradoria Geral da República para apurar as denúncias de envenenamento do líder trabalhista. Em conversa com a repórter Simone Iglesias, Barreiro declarou: "Fleury foi quem deu a palavra final". Em uma reunião no Uruguai, disse que Jango era um conspirador e que falaria com Geisel para dar um ponto final no assunto. Depois, em outra reunião no Uruguai, disse [...] que tinha conversado com Geisel dizendo que Jango estava complicando e que ele sabia o que deveria ser feito. E ele Geisel disse: Faça e não me diga mais nada sobre Goulart . Terra Magazine entrevista Waldir Pires Waldir Pires analisa os detalhes narrados pelo uruguaio e relembra seu último encontro com Jango, na Argentina. Todos os detalhes são muito plausíveis, num quadro internacional que era mais ou menos grave na época. Eu fiquei muito preocupado com a natureza da denúncia e entendo que ela deve ser investigada profundamente. Leia a Integra: Terra Magazine - Qual foi à impressão do senhor ao ler o relato do ex-agente uruguaio Mario Barreiro? Waldir Pires - É uma coisa séria. Todos os detalhes são muito plausíveis, num quadro internacional que era mais ou menos grave na época. Eu fiquei muito preocupado com a natureza da denúncia e entendo que ela deve ser investigada profundamente, porque é um desses crimes internacionais que não se deve permitir. Terra Magazine - O ex-agente uruguaio fala que a ordem veio do governo brasileiro? Waldir Pires - Pois é, isso é uma coisa que está posta com muitos detalhes nas circunstâncias. E o comando do então dirigente do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), que era o Sérgio Fleury, um homem capaz de tudo. De modo que eu tenho a impressão de que o Ministério Público do Brasil deve aprofundar a investigação. Acho que é uma coisa importantíssima para a natureza mesmo das relações internacionais e para impedir um crime dessa natureza. Terra Magazine - O senhor esteve com Jango logo no início do exílio? Waldir Pires - Estive com Jango no início. E eu fui para São Borja (RS) no dia da morte dele. A família tinha comunicado ao João Vicente. Eu tinha estado anteriormente com o presidente no Uruguai, fui lá vê-lo, em Maldonado, em 1976. Fui fazer uma visita, no fim do primeiro semestre. Os filhos, João Vicente e Denise, estavam em Londres, ele tinha se tornado avô nessa ocasião. Terra Magazine - Qual era o estado dele? Waldir Pires - Bem, um desejo enorme de vir pro Brasil, enorme. Passei lá mais de 24 horas. Fiquei na fazenda, dormi na fazenda. Conversamos longamente. Terra Magazine - Estava displicente com a saúde? Waldir Pires - Isso ele sempre foi, né? (risos) Havia tido outros enfartes, inclusive um grande enfarte logo depois do golpe, em junho ou julho. Terra Magazine - No exílio, o senhor teve informações sobre ameaças que chegavam ao ex-presidente? Waldir Pires - Eu saí de lá logo em seguida, em 1965. Nenhum de nós tinha conseguido trabalho lá. Na nossa área, não era possível trabalhar. A única pessoa que tinha conseguido trabalho, em antropologia, foi Darcy (Ribeiro). Todos nós outros, que nos encontrávamos lá, eu, Almino (Affonso), Max da Costa Santos, Neiva Moreira, etc., nenhum de nós encontrou trabalho. Como eu tive cinco filhos (risos), eu me preocupava enormemente, a gente recebia ajuda de amigos, da família, pra sobreviver lá. Em 1965 eu fui pra França. Mas eu tinha com o presidente uma relação pessoal muito forte. Nós nos tornamos amigos no exílio. Anteriormente, ele era um companheiro político. Terra Magazine - E o senhor, Consultor-geral da República. Waldir Pires - Eu era consultor-geral da República, mas não tinha assim grande intimidade. Eu me tornei amigo de se ver três vezes por semana, na fase do exílio. Tinha filhos crianças e os filhos dele também eram crianças, e se tornaram amigos. Eles vinham muito pra cá, os meus pra lá. Terra Magazine - Ele chegou a temer algum ato contra ele? Waldir Pires - Nessa ocasião, a Operação Condor não tinha sido formada. Ela veio adiante. Tanto que, no Rio, quando eu soube da morte dele, fiquei sabendo que João Vicente estava chegando e nós fomos juntos. Eu e Darcy fomos para São Borja, esperar o corpo do presidente. Que foram os últimos a sair do Palácio, em 1964.Os últimos a sair... Terra Magazine - Com a vela na mão? Waldir Pires - (Risos) Não chegou a isso. Darcy que falava. A vela era da imaginação do Darcy romancista. (Risos) Mas eu creio que é uma coisa que precisa se aprofundar. Porque o quadro era muito complicado. Você tinha visto aqueles episódios do Letelier, no Chile, um processo mesmo de eliminação física. No Uruguai também. Terra Magazine - Para o senhor, há coerência no relato de Barreiro? Waldir Pires - Olha, ele (Jango) era uma pessoa displicente com a saúde, sem nenhuma dúvida. O médico queria muito que ele não fumasse, ele continuava fumando. Mesmo depois de ter tido um enfarte - o primeiro, no México, ainda como presidente. E teve o segundo no Uruguai, em 1964. Ele já tinha o histórico de cardíaco. Tanto que o que é um pouco indutivo é essa história de remédios, etc. É uma coisa que precisa apurar. Aspectos sociais Muitas manifestações sociais aconteceram durante o governo Geisel. Uma dessas manifestações públicas (a primeira desde o Ai-5) aconteceu após a morte do jornalista Wladimir Herzog, setores combativos da sociedade se reuniram em um culto ecumênico na catedral da Sé, reunindo mais de 8 mil pessoas. Mas também houve alguns atentados contra civis causados pelo governo durante a Era Geisel, principalmente no ano 1976. Um desses civis atingidos por atentados, foi a estilista Zuzu Angel, morta em abril em um acidente de automóvel, ela era mãe de um prisioneiro político, e incomodava o governo desde 1971 atrás de seu filho. Em agosto bombas foram atiradas contra as sedes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da associação Brasileira de imprensa (ABI). No Rio de Janeiro no mês de setembro foi atingido o Centro Brasileiro de Analise e planejamento (CEBRAP) Mas um atentado com proporções alarmantes, foi contra o bispo de Nova Iguaçu (RJ), D. Adriano defensor dos direitos humanos, que foi seqüestrado por terroristas, teve seu carro explodido e seu corpo abandonado nu e pintado de vermelho em um matagal. Aumenta o descontentamento popular Apesar de toda repressão causada pelo governo, ataques terroristas, e cassações políticas, ainda assim aumentava o descontentamento da população, pressionados pelas cada vez maiores dificuldades econômicas cotidianas. Pois segundo IBGE, entre os anos 1974 e 1975 mais de metade de população não consumia o número de calorias diárias, mostrando que a era Geisel foi uma época difícil para as camadas menos favorecidas, devido o constante aumento do custo de vida e o arrocho prolongado de salários e crescente concentração de renda. Houve também muitos protestos contra o governo, publicações que desafiavam a censura e movimentos organizados. Um dos movimentos mais marcantes da época foi o Movimento Estudantil que foi um dos setores mais importantes para o renascimento da vida política autônoma do Brasil, e atuou nas principais capitais do país. Os estudantes organizaram algumas passeatas, as primeiras desde o massacre de 1968 as principais foram A Semana da Anistia e o III encontro Nacional de Estudantes . Mas o movimento estudantil sofreu muitas repressões violentas, a mais marcante talvez tenhas sido a que aconteceu no III encontro Nacional de estudantes , onde a tropa de choque foi acionada utilizando a força para conter os estudantes, reprimindo-os com muita violência, ferindo e detendo centenas de estudantes. Outro movimento que teve um importante papel foi os movimentos operários , que foram se rearticulando enquanto os estudantes estavam movimentando as ruas. Uma das principais lideranças desse movimento veio do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, Luiz Inácio da Silva também conhecido como Lula . Ele comprovou a falsificação dos índices de inflação praticada por Delfin Neto no período de 1973 1974 e liderou uma intensa campanha por reposição salarial. Conclusão Todo o processo do militarismo implantado no Brasil se reflete ainda hoje em alguns setores da sociedade brasileira, as recordações das torturas sofridas por militantes políticos, ou apenas pessoas suspeitas de subversão, ainda hoje não encontramos respostas de onde estão as pessoas que desapareceram no regime militar dos governos ditatoriais. Como vimos o governo do General Ernesto Geisel, foi à abertura de um lento processo de democratização, onde desde sua indicação para o cargo, podemos perceber uma divisão dentro do governo militar, pois uma parte a linha dura se apropriou do poder e buscou condenar e manter a ordem com a força e tortura. Na verdade o que Geisel fez em um primeiro momento, foi unificar o poder desfragmentado que existia dentro do exército e no governo, tentou arrumar a casa d e dentro pra fora, fortificar sua base e hierarquia do exército em um âmbito nacional, fazendo assim, prevalecer um poder presidencial e o exército subordinado a sua hierarquia de presidente. Em um momento buscou também manter o crescimento econômico, com um forte arrocho salarial para conter a inflação, buscou incrementar uma economia de interna para não importar produtos de primeira necessidade e insumos. A sociedade em um período quis acreditar que a democracia estaria chegando e a ditadura cm seus dias contados, mas o presidente Geisel fechou o congresso utilizando o Ato Institucional nº 5, essa arma burocrática que feria a todos os direitos sociais, políticos, econômicos e religiosos. Mas a sociedade não se conteve e aproveitou a abertura política, e muitos deram sua vida em prol de uma democracia que só chegou ao final do governo Figueiredo. REFERÊNCIAS BARROS, Edgard Luiz de. Os Governos Militares. São Paulo: Contexto, 1994 (Repensando a história) 3ª ed. SILVA, Hélio. Os governos militares: 1969/1974. 3. ed. São Paulo: Editora três, 2004. VIZENTINI, Paulo Fagundes. A Política Externa do Regime Militar Brasileiro. Porto Alegre:








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***FRANCIS DE MELLO***

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