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domingo, 18 de dezembro de 2011

"BRASILEIROS PASSAM APERTO E DESEMPREGOS NA LINDA PARIS FRANÇA"


Paris: "se você conta isso no Brasil, ninguém acredita", diz brasileira


Vera Lúcia: no início as coisas eram mais fáceis
Vera Lúcia: no início as coisas eram mais fáceis
Foto: Mario Camera/Especial para o Terra

A França, simbolizada pela beleza e o glamour de sua capital, Paris, passa por um período difícil. A economia francesa deve crescer 1,7% este ano. Para tentar conter os estragos da crise, o presidente Nicolas Sarkozy deve anunciar novas medidas de austeridade. O objetivo é diminuir o déficit público do Estado, que representa 86,2% de seu Produto Interno Bruto.
Menos dinheiro e menos investimentos diminuem o crescimento e aumentam desemprego. A equação é simples, mas a solução não parece ser tão óbvia. "Estamos em um impasse", afirma Mathieu Plane, economista sênior do departamento de análise e prevenção do Observatório Francês de Conjunturas Econômicas. "Se todos os países da Europa respeitarem a política orçamentária, o desemprego aumentará", diz o especialista. Ele lembra, também, que a França ainda não foi capaz de absorver os desempregados da primeira fase da crise, em 2008.
Desde 2008, 800 mil empregos foram suprimidos na França. No último mês de novembro, a taxa de desemprego atingiu 9,9% da população ativa. Se os números são baixos quando comparados a economias europeias à beira do precipício, como Espanha e Irlanda, eles escondem um dado preocupante. Com patrões tentando, ao mesmo tempo, cortar custos e manter a produção, o trabalho precário já é uma realidade para 32% dos franceses. Os dados oficiais mostram que quase um terço da população trabalha com contratos temporários.
Vera Lúcia conhece as dificuldades de encontrar um emprego fixo. Na França há 13 anos, ela conta que "no início as coisas eram mais fáceis". Em 2007, perdeu o emprego de agente de escala no aeroporto Charles de Gaulle e sua vida mudou. Atualmente vivendo de bicos, a pernambucana trabalha como cozinheira e garçonete em um restaurante brasileiro em Paris. Com o aquecimento da economia brasileira, ela agora faz planos para voltar a sua Olinda natal.
Recém-chegada de Uberlândia, Tatiana Paulino trabalha no mesmo restaurante. Na cidade mineira, ela era diarista e ajudava na organização de um forró. Ganhava em torno de R$ 1.500 por mês. "Não era muito, mas eu conseguia me virar", conta. Na capital francesa, onde desembarcou há três meses, recebe cerca de 500 euros mensais com faxinas e como garçonete. Após pagar alimentação e um aluguel de 300 euros por um quarto na periferia de Paris, o pouco que sobra é enviado para os três filhos, que continuam no Brasil.
Precariedade




A precariedade não é exclusividade de imigrantes. Frédéric Blanchar possui um diploma de monitor escolar e outro de hotelaria, mas trabalha lavando pratos em um restaurante. Sem perspectivas, o jovem, de 21 anos, decidiu juntar-se aos "Indignados", movimento nascido em maio, na Espanha, e que exige uma "democracia real."

Na última quinta-feira, Frederic e seu amigo Simon chegaram de Lyon, no sul do país, para integrar o acampamento dos "Indignados" montado no meio da esplanada de La Défense, o distrito financeiro de Paris. Junto a eles, cerca de 20 manifestantes de diferentes idades e profissões encaram o frio e a chuva para protestar contra quase tudo que esteja relacionado a política, bancos e consumo.
Os dois jovens representam parte de uma geração que vê algumas das políticas sociais conquistadas por seus pais e avós irem para o ralo, levadas por planos de austeridade orçamentária e fiscal que o velho continente não via desde a Segunda Guerra Mundial. Ao contrário de seus pais, Frédéric e Simon não fazem planos para comprar um imóvel, cujo metro quadrado, em Paris, subiu 22% no último ano e atingiu o recorde de 8.150 euros. Eles não têm dinheiro e, tampouco, acesso a um crédito que cada vez fica mais difícil de obter.

Aumento da pobreza




"Recebemos mais gente todos os anos", diz Raymonde Fernandez, há 27 anos trabalhando para a associação Restos du Coeur, que distribui alimentos aos mais necessitados. "Nos últimos dois, três anos, vimos um aumento no número de trabalhadores pobres e aposentados", diz.

Muitas das pessoas que fazem fila para receber alimentos gratuitamente estão entre os 17% da população que vivem com algum tipo de ajuda financeira do Estado. São elas que mais devem sofrer com os cortes que o governo pretende adotar para equilibrar o déficit e tentar manter a dívida nos patamares exigidos pelos mercados financeiros.
As ajudas estatais aos cidadãos vão desde uma espécie de "bolsa aluguel" até uma "bolsa telefone". Juntas, essas ajudas podem render a um casal sem filhos o equivalente a um salário mínimo na França, ou seja, 1.094 euros mensais. Mesmo solteiros e sem filhos, Frédéric e Simon conseguem atingir o valor mínimo com o trabalho e o dinheiro que recebem do governo. Ainda assim, ambos têm dificuldades para chegar ao fim do mês.
Em Lyon, onde moram, o preço do aluguel de um imóvel de quarto e sala com 50 metro quadrado pode variar entre 600 e 1.100 euros. Sem condições de bancar tanto espaço, eles optaram por dividir um apartamento com amigos. Viver na capital, onde há mais oportunidades de trabalho, está fora de questão. "Se eu pudesse, eu me mudaria para Paris, mas os alugueis aqui são muito mais caros", diz Simon.
A capital francesa é conhecida pelos preços estratosféricos de seus apartamentos. O aluguel de um apartamento de dois quartos em um bairro popular não sai por menos de 1.400 euros. Mas é bastante comum pessoas alugarem cubículos de menos de 12 metros quadrados, que não possuem sequer um vaso sanitário, por 350 euros ou mais.

Esperança




Para o economista Mathieu Plane, a degradação da qualidade de vida na França deve continuar no curto prazo. "Em 2012 teremos um crescimento próximo a zero ou negativo. Isso irá gerar um problema social significativo", afirma o especialista. Se as previsões mais pessimistas estiverem corretas e o país entrar em recessão, a pobreza deve aumentar, assim como o número de pequenos barracos que nos últimos anos multiplicam-se em alguns pontos de Paris.

"Eu fiquei impressionada com a quantidade de gente pedindo dinheiro nas ruas", lembra Tatiana, ao falar de sua surpresa com a pobreza que encontrou na capital francesa. "Se você conta isso no Brasil, ninguém acredita", completa Vera. Apesar disso, as duas têm esperança de que as coisas melhorem. "Todos os dias eu peço a Deus que isso aconteça", diz a mineira.


A vida em Paris


Passagem de ônibus ou metrô: 1,70 euro


Preço de um carro popular 0 km: a partir de 10 mil euros


Big Mac: 3,80 euros.








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***FRANCIS DE MELLO***

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