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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

"A MEGA SENA ASSASSINA, R$ 52 MILHÕES DE PURO SANGUE"

Uma morte de R$ 52 milhões: o caso da “viúva da Mega-Sena”

Acusada de mandar matar o marido para ficar com a fortuna de R$ 51,8 milhões, a "viúva da Mega-Sena", Adriana Almeida, foi absolvida em um julgamento que durou quase seis dias e chamou a atenção do País. Ganhador da loteria mais cobiçada do Brasil, Renné Senna teria tido sua morte encomendada após descobrir que a mulher mantinha casos extraconjugais e ameaçar tirá-la do testamento.

Da ventura de uma riqueza à sentença, a história da Mega-Sena de Senna se turva em bares, traições, ameaças e fome. Relembre o caso:



Renné de Souza Senna foi morto a tiros em 7 de janeiro de 2007, em Rio Bonito, região metropolitana do Rio de Janeiro, onde mantinha vida simples, apesar de a sorte lhe ter sorrido dois anos antes, quando o ex-lavrador ganhou R$ 51,8 milhões na Mega-Sena. Com as duas pernas perdidas para a diabetes, ele circulava pela cidade de quadriciclo e frequentava as mesmas mesas dos mesmos bares do tempo em que ele vendia doces à beira de estradas, mal sonhava em ser latifundiário, não tinha R$ 32,5 milhões se multiplicando em um fundo de investimentos da Caixa Econômica Federal nem dividia suas noites com uma mulher 25 anos mais jovem. E foi bebendo cerveja em um desses bares não renegados pela riqueza que Renné teve seus últimos centavos de vida. Foram quatro tiros encomendados, segundo o Ministério Público, por Adriana Ferreira de Almeida, hoje viúva do milionário.

Então com 29 anos, Adriana foi presa em um hotel de luxo poucas semanas após a morte de Renné. A polícia sustentava, com base em escutas telefônicas, que a cabeleireira mantinha dois casos extraconjugais – um com o motorista Robson de Andrade Oliveira e outro com o ex-policial militar Anderson Silva de Souza, chefe da segurança pessoal de Renné e condenado em 2009 a 18 anos de prisão pela morte do milionário, após ser identificado como autor dos disparos. Apontado como o comparsa que ofereceu a garupa da moto para a fuga, o funcionário público Ednei Gonçalves Pereira sofreu a mesma condenação. As hipóteses aventadas para o crime se fiaram em decisões intempestivas de Renné. Segundo a versão difundida pelo MP, ele foi morto por, ao se saber traído e descobrir a compra de uma cobertura de R$ 300 mil sem o seu consentimento, ter ameaçado retirar a mulher do testamento. Outra linha explorava a demissão de Anderson diante da descoberta de que ele havia sido expulso da PM – fato que teria chegado ao milionário por meio de outro segurança, o PM David Vilhena, que acabou morto em setembro de 2007. A defesa de Adriana se muniu de outras possíveis traições: a infidelidade da ex-mulher de Renné colocaria em xeque a paternidade do ganhador da Mega-Sena, cuja única filha, Renata Senna, disputa a farta herança.



Menos de um mês depois da morte de Renné, o delegado Roberto Cardoso afirmava que a “viúva da Mega-Sena” havia sido prostituta e que, na profissão anterior, firmara amizade com Janaína Oliveira, a mulher do ex-PM Anderson e hoje uma das acusadas de envolvimento no assassinato do milionário. A vida pessoal de Adriana era devassada publicamente enquanto ela passava fome atrás das grades da 72ª DP, onde seu primeiro fim de semana foi emagrecido por um almoço que chegou estragado e tumultuado pela aglomeração de familiares de outras presas que, curiosos, trocaram o horário de visita com as parentas em favor de uma espiada no assunto nacional. Frequentemente hostilizada, a viúva escapou duas vezes de ser linchada pelos moradores de Rio Bonito. Para angariar a simpatia das colegas de cela, passou a oferecer seus serviços de cabeleireira. Embora melhorassem a rotina e os almoços da encarcerada, o gado da fazenda de Renné era castigado pelo abandono e pela indisponibilidade dos bens do falecido, o que impedia a compra de ração. Adriana seria solta da penitenciária Nelson Hungria, em Bangu (RJ), no dia 30 de junho de 2008, em decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) após uma série de habeas-corpus negados por instâncias inferiores. Um mês depois, todos os bens em seu nome eram bloqueados pela Justiça a pedido de Renata Senna.



Era completo um ano do aniversário de morte de Renné quando sua órfã foi nomeada administradora da fortuna póstuma. A gerência caiu no colo de Renata depois de o advogado Sérgio Mazzillo renunciar ao cargo de inventariante, indignado com denúncias que lhe viam se beneficiando da condição. A defesa da viúva contestou: a “intriga” entre as mulheres impediria uma administração “imparcial”. De fato, Renata entrou com um processo de indignidade contra Adriana em fevereiro de 2011, para que a viúva perdesse os direitos previstos no testamento. A filha deu outro passo adiante pela herança quando, em junho de 2011, a Justiça carioca declarou improcedente o pedido de reconhecimento de união estável entre Renné e Adriana – o que, ainda assim, não impede a viúva de herdar sua metade prevista no testamento. Na contramão dos recorrentes desperdícios de Mega-Sena País afora, a fortuna de Renné promete às litigantes mais que o prêmio outrora comemorado: mais da metade da bolada foi aplicada em um fundo de investimentos imobiliário da Caixa, a maior fatia de um patrimônio de cerca de R$ 70 milhões que abarca, ainda, três fazendas em Rio Bonito, uma casa no Recreio dos Bandeirantes, um sítio em Itaboraí e uma casa em Saquarema, na Região dos Lagos.



Não bastasse disputarem o tesouro deixado pelo ganhador da Mega-Sena, Adriana e Renata ainda travam batalhas menos faustosas. Enquanto a viúva reivindica a devolução de um Astra que Renata pegou emprestado no dia seguinte à morte do pai, a defesa da filha responde que só abdica do veículo se Adriana abrir mão de um Celta de que se apossou. E nem só de reclames materiais vive a disputa: descontente com a fundamentação da ação de indignidade movida por Renata, a viúva garante que teve a honra ofendida pela adversária. Se a briga é intensa entre as duas, não há como dizer que os 11 irmãos de Renné permaneceram alheios ao caso. Dez dias após o assassinato, Ângela Senna afirmou que, em sua última visita à fazenda Nossa Senhora da Conceição, encontrou o irmão estranhamente sonolento, com que descobriu que Adriana lhe servia calmantes no lugar dos remédios para tratar a diabetes. A resposta de Alexandre Dumans, então advogado de defesa? Estava ali a prova de que Adriana não tinha interesse na morte do companheiro, caso contrário teria lhe envenenado com facilidade, o que estaria em sintonia com as pretensões de Renata e marido, que ainda não tinham conquistado “independência financeira”. Outros dois irmãos chegaram a tentar anular o testamento para reclamar direitos sobre o dinheiro, mas o cabo de guerra pela Mega-Sena de Renné Senna nunca chegou a ensaiar mais de duas pontas: de um lado, a filha, do outro, a viúva.


Após cinco dias de júri, Adriana Oliveira chorou abraçada a seu advogado: estava absolvida. Os jurados entenderam não haver provas de que a ex-cabeleireira tenha mandado matar o milionário Renné Senna. Mesmo assim, a Promotoria e a defesa da filha de Senna prometeram recorrer da decisão. A absolvição em primeira instância abriu caminho para que ela fique com R$ 50 milhões, metade do patrimônio do marido.

No julgamento, no qual foram ouvidas 17 testemunhas, detalhes da vida conjugal dos principais envolvidos foram amplamente discutidos. Em seu depoimento, Adriana admitiu que era infiel a Senna. "Eu traí por carência. O Renné estava com disfunção erétil. Traí apenas por satisfação sexual", disse ela, recebendo o apoio de seu advogado. "O sexo é uma necessidade fisiológica", afirmou Jackson Costa. O júri absolveu ainda, a pedido do Ministério Público, dois ex-policiais e uma professora.



2 comentários:

  1. Em toda minha vida, nunca jamais trocaria o amor de minha vido nem por toda riqueza do mundo inteiro.
    Essa mulher com certeza teria que ficar o resto de sua vida na cadeia!
    Isso não tem pensamento de gente, os pensamentos dela foi colocados em sua memória por o diabo!

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    1. É preciso esclarecer que o episódio aqui descrito está mais para uma periguete, que uma mulher séria que considera o casamento como uma instituição divina. Já que ela tinha um suposto amante, e foi ameaçada de estar fora do testamento do sortudo sem sorte!

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