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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

"TOCANTINS SE PREPARA PARA A DIVISÃO EM MAIS DOIS ESTADOS"

Tapa na cara e choro marcam campanhas sobre divisão do Pará



Partidários do Não colocam no ar a cantora Fafá de Belém chorando, enquanto ela tenta convencer o espectador a votar contra a divisão do Pará. Foto: Filipe Faraon/Especial para Terra
Partidários do "Não" colocam no ar a cantora Fafá de Belém chorando, enquanto ela tenta convencer o espectador a votar contra a divisão do Pará

A reta final da campanha do plebiscito no Pará, que pode resultar na criação dos Estados do Tapajós e Carajás, busca despertar a emoção da população paraense. Nos últimos dias, a frente do "Sim" passou a usar imagens de pessoas levando um tapa na cara, simbolizando o abandono do interior do Estado. Já os partidários do "Não" colocam no ar a cantora Fafá de Belém chorando, enquanto ela tenta convencer o espectador a votar contra a divisão do Pará.
Ambas as frentes buscam provocar sentimentos desde o início da campanha gratuita, em 11 de novembro. Mas até então, argumentos e números prevaleciam durante os 20 minutos de propaganda diária na TV e rádio. O primeiro programa do "Sim", por exemplo, tem como tema uma música que chama os possíveis novos Estados de "terra prometida" e depoimentos de atores com olhos vendados, antes dos argumentos formais do deputado João Salame, presidente da frente pró-Carajás.
A polêmica aparição do jornalista Paulo Henrique Amorim no programa do "Sim", nos primeiros dias de propaganda gratuita, ainda tinha como base a racionalização. Durante sua fala, o apresentador da Recordmostrava vários dados econômicos sobre os Estados do Tocantins e do Mato Grosso do Sul, as últimas duas mais recentes unidades da federação. O jornalista já saiu do ar e, em seu lugar, há duras críticas contra o governador do Pará, Simão Jatene (PSDB). O ataque veio como retaliação a um artigo de Jatene, publicado nos jornais locais O Liberal e Diário do Pará e supostamente contrário à divisão do Estado.
O outro lado da campanha também começou com abundância de números e uma grande discussão sobre como funcionaria o Fundo de Participação dos Estados (FPE) no caso da criação das novas unidades federativas, mas logo os embates com dados foram diminuindo e as músicas sentimentais tomaram mais espaço. Metade do programa do dia 18 de novembro é exclusivamente musical. E é frequente o uso das marcas da cultura local, como o prato típico tacacá, que protagoniza uma inserção da frente do Não na TV.
Os depoimentos de paraenses famosos têm forte teor sentimental. Fafá de Belém encarna o ápice dessa tendência. Durante os 30 segundos em que aparece, a cantora diz: "quando canto o hino nacional, é o Pará que canta comigo; quando cantei para o Papa, foi o Pará que cantou comigo", se referindo a uma apresentação diante da visita do então Papa João Paulo II, em 1997.
No plebiscito do dia 11, os eleitores do Pará responderão a duas perguntas: a primeira, se são a favor ou contra a criação do Estado do Tapajós. Em seguida, os paraenses responderão se são favoráveis ou não à criação do Estado de Carajás. A ordem das perguntas foi definida em sorteio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O voto é obrigatório para quem tem título de eleitor do Pará, e os que estiverem fora do domicílio eleitoral têm o prazo de 60 dias para justificar a ausência.
A área do Pará, cerca de 14,6% do território nacional e inferior apenas à do Amazonas, motivou alguns dos argumentos que desembocaram no plebiscito. Com a extensão do território, o interior do Estado não teria suas necessidades supridas, e a divisão propiciaria uma administração mais eficiente. Caso essa tese seja abraçada pelos eleitores, Carajás nascerá com 39 municípios, tendo Marabá como capital, e população estimada em 1,6 milhão de habitantes. Já Tapajós poderá ter 27 cidades, tendo Santarém como capital e população de cerca de 1,2 milhão de habitantes. O Pará seria composto por 78 municípios, e com população de 4,6 milhões de habitantes, sendo que a cidade de Belém continuaria sendo a capital.
Segundo cálculos feitos pelas frentes pró-divisão, o Novo Pará ficaria com aproximadamente 56% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, Carajás com 33% das riquezas e Tapajós com 11% do que é atualmente produzido. Desde 13 de setembro, as frentes pró e contra a divisão do Estado estão autorizadas a fazer campanha com distribuição de panfletos, santinhos e realização de comícios.


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***FRANCIS DE MELLO***

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