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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

"EMPRESA DO CONCORDIA ABANDONA DEFESA DE COMANDANTE APÓS SUAS DECLARAÇÃOES"


A tragédia Costa Concórdia. Business e mistérios com bandeira a meio-pau



Costa-Serena e Costa-Concórdia
Costa-Serena e Costa-Concórdia
Ontem à noite, os 2.991 passageiros a bordo do iluminado e festivo Costa Serena, um dos 26 navios da empresa de cruzeiros Costa Crociere, puderam ver o Costa Concórdia no lento processo de afundamento próximo ao porto da Isola del Giglio. Detalhe, a bandeira do Costa Serena estava a meio mastro, em sinal de luto pela tragédia de sexta-feira passada.
No mundo empresarial, vale a máxima “negócio são negócios, o resto fica de lado”. Em síntese, coloca-se uma bandeira a meio pau e a vida continua. Até porque o acidente decorreu, pelo verificado até aqui, de uma imprudência do comandante Francesco Schettino.
Mas Francesco Verusio, magistrado do Ministério Público responsável pelas investigações sobre o naufrágio do Costa Concórdia, continua intrigado com alguns mistérios e preocupado em conferir algumas revelações publicadas na imprensa italiana.
Ontem, misteriosamente, a empresa Costa Crociere rompeu com o comandante Francesco Schettino. Tirou-lhe o advogado fornecido e já avisou que acompanhará, como parte civil interessada (ações indenizatórias poderão ser ajuizadas), o processo criminal contra Schettino. No processo penal italiano, uma vez aceita a habilitação, resolve-se, também e por economia processual, a questão indenizatória civil.
A mudança de posição, segundo se especula, decorreu de um relato comprometedor de Schettino. Ele teria avisado o “Gabinete de Crise” (escritório em terra mantido pela Costa Crociere para atender emergências nos seus cruzeiros marítimos que  funciona 24 horas) sobre a colisão com as pedras cerca de 20 minutos após o acontecido. E transcorreram 68 minutos entre o aviso ao “Gabinete de Crise” e o disparo, no Costa Concórdia, do alarme para os passageiros buscarem auxílio de desembarque. A respeito, a Costa Crociere sustenta que somente a Schettino competia deliberar.
Relatos colhidos pelo procurador Francesco Verusio mostram que vários membros da tripulação recomendaram aos passageiros para ingressarem e permanecerem  nas cabinas, depois do barulho da batida contra as pedras, do apagão elétrico e da invasão das águas nos porões. Pior, eles afirmavam que estava tudo sob controle e que só havia um problema de pane elétrica de simples solução.
Ontem, o presidente da Costa Crociere, Píer Luigi Foschi, admitiu que Schettino falou por telefone com Ferrarini, o responsável pelo Gabinete de Crise. O presidente Foschi soltou algumas farpas a respeito de Schettini. Disse que ele era tecnicamente respeitado, mas tinha “pequenos problemas” com os colegas de trabalho, pois era duro e “gli piaceva apparire”.
Ainda sobre o atraso no aviso aos passageiros, o jornal Corriere della Serade hoje alerta sobre multas. No caso de desembarque noturno decorrente de emergência, o ressarcimento ao passageiro é de 10 mil euros. Em outras palavras, e tendo em vista o número de passageiros no Costa Concórdia, o valor do desembarque de emergência seria de 30 milhões de euros. Portanto, a investigação em curso não descarta a hipótese de o atraso ter sido ordenado pelo Gabinete de Crise. Para o presidente Foschi isso não ocorreu.
Foschi, indagado pelo enviado do Corriere della Sera a respeito da presença a bordo, e no gabinete de comando, da bailarina Dominica Cemortan  disse, a contrariar o publicado nos jornais italianos, que ela era uma passageira registrada e com camarote. Dominica, de 25 anos e funcionária da empresa Costa Crociere, é  natural da Moldávia (residente na capital da Romênia). Como bailarina profissional, ela se apresentou em shows de navios da empresa de navegação.
Uma carta-rogatória será encaminhada a Bucareste para tomar declarações de Cermotan, que já está naquela capital. Cermotan reside em Bucareste e possui, como romena naturalizada, passaporte europeu. Assim, pode ser contratada, tempos atrás, pela Costa Crociere.
A presença de Cermona na cabine de comando de Schettino foi revelada ao procurador Verusio por membros da tripulação. Schettino, segundo tripulantes, teria jantado com a bailarina. Schettino negou tudo e mentiu ao dizer que Cermona estava na companhia do esposo (ela não é casada e nem possui namorado).
Foschi, ainda quando perguntado sobre Cermona (disse ter documentação a comprovar que ela era passageira regular) e contradições de Schettino, ressaltou as confusões mentais do comandante. Com isso, reafirmou a tese de erro humano como causa da tragédia. Foschi frisou, ainda, que o comandante tanto poderia estar sob efeito de um trauma psicológico decorrente da situação ou de substância inebriante.
Pano rápido, a tragédia com o Costa-Concórdia, pelo revelado pelos analistas de mercado,  não vai alterar a demanda. Se a boa-imagem da Costa-Crociere não sair arranhada, a tendência de lucros continuará neste 2012. Em 2010, o grupo Costa-Crociere faturou 2,9 bilhões de euros.



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***FRANCIS DE MELLO***

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