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terça-feira, 15 de novembro de 2011

(22º Presidente) "RELEMBRE OS PRESIDENTES DE 122 ANO DE REPÚBLICA"

Jânio Quandros, (25 de agosto de 1961 a 07 de setembro de 1961)




Jânio Quadros

O sul-mato-grossense e governador de São Paulo consagrado pela promessa de “varrer” a corrupção foi eleito presidente em 1960 com 5,6 milhões de votos, a maior aclamação das urnas registrada até aquele ano no País. Jânio não só assinou medidas excêntricas – como as proibições da rinha de galo e de biquíni nas transmissões televisivas dos concursos de miss e a regulamentação do carteado –, como, em apenas oito meses, restabeleceu as relações com a União Soviética e com a China, nomeou o primeiro embaixador negro do Brasil, condenou intervenções estrangeiras – a exemplo do isolamento americano imposto a Cuba –, criou as primeiras reservas indígenas e enviou ao Congresso uma proposta de reforma agrária. 

Uma das polêmicas de seu governo foi a condecoração do guerrilheiro argentino e ministro cubano Ernesto Che Guevara com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, em agradecimento pela libertação, a pedido do Brasil, de sacerdotes presos em Cuba. A homenagem indignou a oposição e os militares – uns ameaçaram arruinar a cerimônia dedicada a Guevara, outros anunciavam que devolveriam suas medalhas em sinal de repúdio. Sentindo-se pressionado, um dia após Carlos Lacerda ter denunciado um suposto plano de golpe de estado orquestrado pelo ministro da Justiça, Oscar Pedroso Horta, Jânio apresentou, para a surpresa da nação, a sua carta de renúncia, alegando: “forças terríveis se levantaram contra mim”.

Curiosidade: Jânio paquerava a apresentadora de TV Hebe Camargo. Certa vez, tentou marcar um encontro alegando querer “discutir assuntos de interesse da classe artística”.
Foto: Portal Brasil / Divulgação.

A gestão de Jânio Quadros na presidência da República foi breve, durou sete meses e encerrou-se com a renúncia. Neste curto período, Jânio Quadros praticou uma política econômica e uma política externa que desagradou profundamente os políticos que o apoiavam, setores das Forças Armadas e outros segmentos sociais.
A renúncia de Jânio Quadros desencadeou uma crise institucional sem precedentes na história republicana do país, porque a posse do vice-presidente João Goulart não foi aceita pelos ministros militares e pelas classes dominantes.
A crise política
O governo de Jânio Quadros perdeu sua base de apoio político e social a partir do momento em que adotou uma política econômica austera e uma política externa independente. Na área econômica, o governo se deparou com uma crise financeira aguda devido a intensa inflação, déficit da balança comercial e crescimento da dívida externa. O governo adotou medidas drásticas, restringindo o crédito, congelando os salários e incentivando as exportações.
Mas foi na área da política externa que o presidente Jânio Quadros acirrou os animos da oposição ao seu governo. Jânio nomeou para o ministério das Relações Exteriores Afonso Arinos, que se encarregou de alterar radicalmente os rumos da política externa brasileira. O Brasil começou a se aproximar dos países socialistas. O governo brasileiro restabeleceu relações diplomáticas com a União Soviética (URSS).
As atitudes menores também tiveram grande impacto, como as condecorações oferecidas pessoalmente por Jânio ao guerrilheiro revolucionário Ernesto "Che" Guevara (condecorado com a Ordem do Cruzeiro do Sul) e ao cosmonáuta soviético Yuri Gagarin, além da vinda ao Brasil do ditador cubano Fidel Castro.
Independência e isolamento
De acordo com estudiosos do período, o presidente Jânio Quadros esperava que a política externa de seu governo se traduzisse na ampliação do mercado consumidor externo dos produtos brasileiros, por meio de acordos diplomáticos e comerciais.
Porém, a condução da política externa independente desagradou o governo norte-americano e, internamente, recebeu pesadas críticas do partido a que Jânio estava vinculado, a UDN, sofrendo também veemente oposição das elites conservadoras e dos militares.
Ao completar sete meses de mandato presidencial, o governo de Jânio Quadros ficou isolado politica e socialmente. Jânio Quadros renunciou a 25 de agosto de 1961.
Política teatral
Especula-se que a renúncia foi mais um dos atos espetaculares característicos do estilo de Jânio. Com ela, o presidente petenderia causar uma grande comoção popular, e o Congresso seria forçado a pedir seu retorno ao governo, o que lhe daria grandes poderes sobre o Legislativo. Não foi o que aconteceu, porém. A renúncia foi aceita e a população se manteve indiferente.
Vale lembrar que as atitudes teatrais eram usadas politicamente por Jânio antes mesmo de chegar à presidência. Em comícios, ele jogava pó sobre os ombros para simular caspa, de modo a parecer um "homem do povo". Também tirava do bolso sanduíches de mortadela e os comia em público. No poder, proibiu as brigas de galo e o uso de lança-perfume, criando polêmicas com questões menores, que o mantinham sempre em evidência, como um presidente preocupado com o dia-a-dia do brasileiro.

Escrito por;


***FRANCIS DE MELLO***

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