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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

"ESCRITOR AFIRMA QUE IGREJA NÃO NEGA A TESE EM SEU ROMANCE QUE JESUS NÃO ERA CRISTÃO E MARIA PODIA NÃO SER VIRGEM"

Escritor lembra que Igreja não nega a tese presente no seu romance, segundo a qual Jesus não era cristão e Maria podia não ser virgem


A polémica em torno de O Último Segredo, o último romance de José Rodrigues dos Santos, em que o pivot da RTP se propõe revelar a "verdadeira identidade" de Jesus Cristo, está para durar. Depois de o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura ter acusado o escritor de "escrever centenas de páginas sem saber do que fala", Rodrigues dos Santos lembrou ontem que a Igreja Católica não negou nenhuma das afirmações constantes do seu livro e aproveitou para reiterar a tese segundo a qual Cristo não era cristão e Maria podia não ser virgem.
"A verdade é que o cidadão comum nunca ouviu ninguém dizer que Cristo não era cristão, que há indícios no Novo Testamento que questionam seriamente a virgindade de Maria e que existem textos fraudulentos na Bíblia. Os académicos sabem disto, a Igreja também. O público é que não", reiterou José Rodrigues dos Santos, numa reacção directa ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC). Na véspera este organismo da Igreja Católica, dirigido pelo padre e poeta José Tolentino Mendonça, acusara-o de querer, "com grande estrondo, arrombar uma porta que há muito está aberta", para, num "tom de intolerância desabrida", questionar a "fiabilidade das verdades de fé em que os católicos acreditam". "De facto não arrombei nenhuma porta", concede o escritor e jornalista, para acrescentar: "Limitei-me a trazer esta informação para o grande público".
Para veicular tais teses, Rodrigues dos Santos recuperou n"O Último Segredo a personagem do historiador e criptanalista Tomás de Noronha, pondo-o a investigar um assassinato na Biblioteca Vaticana. Ao longo de 564 páginas, a trama toca os enigmas da Bíblia e a promoção feita pela Editora Gradiva promete mesmo confrontar o leitor perante o último segredo do Novo Testamento.
Argumentando ser impensável "para qualquer estudioso da Bíblia atrever-se a falar dela, como José Rodrigues dos Santos o faz, recorrendo a uma simples tradução", o SNPC acusa-o de confundir datas e factos e de usar de um "positivismo serôdio" que o faz chamar historiadores aos teólogos. Pior: acusa o escritor de ter transformado o teólogo norte-americano Bart D. Ehrman - cujas investigações aquele organismo diz seguirem "uma tese radical, claramente ideológica" - numa espécie de "teleponto". Tanto que comparar Misquotin Jesus. The Story Behind who Changed the Bible and Why, daquele autor, com este O Último Segredo é, para o SNPC, "uma tarefa com resultados tão previsíveis que chega a ser deprimente".
"Não é difícil descobrir que li Bart Ehrman porque cito vários livros dele", reage Rodrigues dos Santos. E, depois de assumir uma gralha numa referência bibliográfica, o escritor contra-ataca: "A Igreja nega ou não nega que Jesus era judeu - e, consequentemente, que Cristo não era cristão? A Igreja nega ou não nega que há fortes indícios na Bíblia de que Maria não era virgem? A Igreja nega ou não nega que existem textos fraudulentos no Novo Testamento? A Igreja nega ou não nega que nenhum dos autores do Novo Testamento conheceu pessoalmente o Jesus de carne e osso?" E diz não entender esta reacção da Igreja. "Está com medo de quê? Que os seus fiéis descubram a verdade sobre Jesus e a Bíblia?", questiona, para concluir que "seria inteligente que a Igreja confiasse na inteligência dos seus fiéis".

FONTE: Noticias Cristãs.




Escrito por;

***FRANCIS DE MELLO***

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