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sábado, 26 de maio de 2012

"PRESO EX-DEPUTADO COLOMBIANO QUE TERIA ARMADO O PRÓPRIO SEQUESTRO COM MAIS DEZ COLEGAS"



Prisão de ex-deputado que teria armado o próprio sequestro abala a Colômbia.









Passados dez dias desde a detenção do ex-deputado Sigifredo López por supostamente armar seu sequestro e o de 11 colegas parlamentares, que depois morreriam pelas mãos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a Colômbia segue atônita pelo que considera um dos capítulos mais insólitos do conflito vivido pelo país.
López, único sobrevivente entre os 11 deputados assassinados pelas Farc durante o cativeiro, foi detido no último dia 16 de maio acusado de participar em 2002 de seu próprio sequestro e o de seus companheiros da Assembleia de Valle del Cauca, cuja capital é Cali.
O paradoxo é que López, de 49 anos, passou sete anos sequestrado, até que foi libertado em 2009 e contou que sobreviveu porque naquele momento os guerrilheiros haviam lhe transferido para outro lugar e o separado dos demais políticos.
Preso e investigado agora pelos delitos de rebelião, perfídia, sequestro e homicídio, já que no ataque à Assembleia um policial morreu, este advogado especializado em Criminologia é hoje o centro de um grande debate na Colômbia porque ninguém sabe por quem assumir uma posição, se por ele ou pela justiça.
A procuradoria ordenou sua detenção com uma prova que considera "contundente": um vídeo no qual aparece uma pessoa que detalha um plano mostrando os diferentes acessos, escritórios, escadas e portas da sede da Assembleia de Valle del Cauca, gravado antes do sequestro.
O ente acusador aponta que essa pessoa é Sigifredo López após submeter o vídeo a uma investigação de voz e fisionomia, apesar de a pessoa do vídeo só aparecer por um breve instante.
Parte dessa fita foi reproduzida pela televisão colombiana e nela é possível ver, de forma confusa, um homem com traços semelhantes aos do ex-deputado.
A defesa do ex-sequestrado considerou "muito fracas" as provas e pediu a colaboração do FBI para analisar as vozes, o que foi prontamente aceito pelo procurador-geral, Eduardo Montealegre, que anunciou que solicitará a cooperação da polícia federal dos Estados Unidos.
Alonso Cruz, um dos advogados do detido, considerou "acertada" a decisão e afirmou à Agência Efe que agora a equipe de defesa sente "que há garantias", ao insistir que nem a voz nem a letra que aparecem nos planos "são de Sigifredo".
"A procuradoria cometeu um erro gravíssimo", salientou Cruz.
Seus advogados não são os únicos que defendem López, já que nesta semana falou um dos guerrilheiros que então comandaram o sequestro e depois se desmobilizou.
Trata-se de Gustavo Arbeláez Cardona, conhecido como "Santiago", que assegurou perante um promotor de Direitos Humanos que o homem que aparece no vídeo não é López, mas Milton Sierra Gómez, conhecido como "J", um ex-comandante guerrilheiro morto em uma operação militar.
A própria Direção de Investigação Criminal (DIJIN) da Polícia Nacional reconheceu na sexta-feira que não poderia afirmar que a pessoa que aparece nas imagens é o ex-deputado.
Assim, se for comprovado que López foi um dos cérebros do sequestro de seus companheiros e responsável por suas mortes, esta seria, segundo a última edição da revista "Semana", "uma história judicial sem comparação com nenhuma outra ocorrida na Colômbia".
Por outro lado, se for um erro na investigação, a justiça colombiana e seu novo procurador-geral, Eduardo Montealegre, estariam diante de uma situação muito difícil.
Como um homem poderia bolar seu próprio sequestro, isolar-se de sua família por sete anos, viver tantas dificuldades na selva, onde perdeu peso, saúde e vários dentes, de forma voluntária? Esta é a pergunta que os meios de comunicação fazem na Colômbia e também os familiares dos legisladores mortos, alguns dos quais não parecem crer que López tenha sido culpado da morte de seus parentes.
A viúva do deputado Carlos Charry, Gabby Sánchez, afirmou à imprensa que esta notícia a deixou "sem palavras" e disse não acreditar na acusação.
"Se o capturaram deve haver uma razão, mas acredito em sua inocência", declarou.
Os demais familiares dos ex-deputados assassinados permanecem em silêncio à espera do desenlace de uma história na qual a realidade superou amplamente a ficção.
































***FRANCIS DE MELLO***

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