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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

"NOVA NEGOCIAÇÃO ENTRE GREVISTAS E GOVERNO FOI MEDIADO POR O ARCEBISPO DOM MURILO"


BA: governo e grevistas voltam a negociar; Exército descarta invasão.


Enquanto PMs permanecem acampados no prédio, tropas do Exército cercam o local. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Enquanto PMs permanecem acampados no prédio, tropas do Exército cercam o local.
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O governo da Bahia e os policiais militares grevistas voltaram a negociar na manhã desta terça-feira. O arcebispo de Salvador e primaz do Brasil Dom Murilo Krieger é quem atua na intermediação, em reunião iniciada às 10h na residência episcopal, no bairro da Federação, em Salvador. No encontro, as associações dos PMs amotinados apresentarão o que foi deliberado pelos servidores durante a madrugada.
A intervenção de Dom Murilo Krieger, de acordo com a Arquidiocese, começou ontem, em uma reunião entre negociadores do governo e dos grevistas que durou mais de 12 horas. No encontro, estavam presentes o presidente da Ordem dos Advogados da Bahia (OAB-BA), Saul Quadros; o secretário da Casa Civil, Rui Costa; o secretário da Administração do Estado, Manoel Vitório; o comandante geral da PM, coronel Valter Medeiros; o representante da Procuradoria Geral do Estado, Rui Moraes; e os representantes das associações dos policiais: APPM, Associação da Força Invicta, Associações de Jequié e Itaberaba.
A reunião foi encerrada às 2h de hoje, para que as propostas discutidas fossem apresentadas aos PMs acampados na Assembleia Legislativa.
Na manhã de hoje, o tenente-coronel Márcio Cunha, oficial de comunicação da 6ª Região Militar, voltou a negar que as tropas federais pretendem invadir o prédio da Assembleia. "É meramente boato. Nossa estratégia é manter a comunicação e tentar vencer pelo cansaço", explicou.
Com o cerco dos homens do Exército, os grevistas acampados se comunicam com os policiais que estão do lado de fora do edifício por meio de gritos. Durante a manhã, os amotinados cantaram o hino da PM e oraram simultaneamente com os PMs e familiares que estão do lado de fora da Assembleia, em demonstração da articulação entre os dois grupos.
A greve
A greve dos policiais militares da Bahia teve início na noite de 31 de janeiro. Cerca de 10 mil PMs, de um contingente de 32 mil homens, aderiram ao movimento. A paralisação provocou uma onda de violência em Salvador e região metropolitana. O número de homicídios dobrou em comparação ao mesmo período do ano passado. A ausência de policiamento nas ruas também motivou saques e arrombamentos. Centenas de carros foram roubados e dezenas de lojas destruídas.
Em todo o Estado, eventos e shows foram cancelados. A volta às aulas de estudantes de escolas públicas e particulares, que estava marcada para 6 de fevereiro, foi prejudicada. Apenas os alunos da rede pública estadual iniciaram o ano letivo.
Para reforçar a segurança, a Bahia solicitou o apoio do governo federal. Cerca de três mil homens das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança foram enviados a Salvador. As tropas ocupam bairros da capital e monitoram portos e aeroportos.
Dois dias após a paralisação, a Justiça baiana concedeu uma liminar decretando a ilegalidade da greve e determinando que a Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra) suspenda o movimento. Doze mandados de prisão contra líderes grevistas foram expedidos.
A categoria reivindica a criação de um plano de carreira, pagamento da Unidade Real de Valor (URV), adicionais de periculosidade e insalubridade, gratificação de atividade policial incorporada ao soldo, anistia, revisão do valor do auxílio-alimentação e melhores condições de trabalho, entre outros pontos.

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***FRANCIS DE MELLO***

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