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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012


Em carta, Negromonte se diz exausto por disputas políticas.




Mário Negromonte (dir.) será substituído pelo deputado federal Aguinaldo Ribeiro (esq.). Foto: Agência Câmara/Agência Brasil
Mário Negromonte (dir.) será substituído pelo deputado federal Aguinaldo Ribeiro (esq.)
Foto: Agência Câmara/Agência Brasil


Recém-saído do comando do Ministério das Cidades, Mário Negromonte (PP) disse em carta de demissão enviada à presidente Dilma Rousseff que foi "vítima" de uma campanha "infundada, sem consistência, sem conteúdo". O tom do texto, no entanto, foi de agradecimento à presidente, a quem ele prometeu manter o apoio agora que volta ao seu mandato de deputado federal.
"No âmbito das disputas políticas, vivenciamos uma experiência exaustiva. Enfrentamos ataques constantes, promovidos por adversários interessados em desestabilizar nossa permanência no Ministério das Cidades, que notoriamente desperta muito interesse pela importância dessa pasta", diz um trecho da carta.
Apesar das denúncias de irregularidades em sua gestão como ministro, Negromonte alega que os projetos do governo foram marcados "pela transparência, pela seriedade e pela dedicação" ao Planalto. "Todos os projetos que a senhora nos delegou, ao nos confiar a pasta das Cidades, foram desenvolvidos atentamente em consonância com os outros ministérios do governo e seguindo o ritmo permitido para a liberação orçamentária do governo federal", disse Negromonte em outro trecho da carta entregue à presidente.
O ex-ministro acusou a imprensa de ter reproduzido "denúncias vazias, de forma agressiva e insistente". "Fui vítima de uma campanha que se pretendeu difamante e que o tempo vem provando infundada, sem consistência, sem conteúdo. A gestão do Ministério das Cidades e minha vida pessoal foram vasculhadas e nenhuma ilegalidade foi encontrada, não respondo a nenhum processo", disse Negromonte, enfraquecido politicamente por denúncias de corrupção.
Na correspondência, o ex-ministro destacou seu apoio dentro do PP à candidatura de Dilma para a Presidência da República. "Foi uma honra ter feito parte do governo da primeira presidenta mulher de nosso País. (...) Contribuir com seu governo nesse primeiro ano, reconhecidamente o ano mais difícil para os governantes, possibilitou um enorme crescimento pessoal e muita superação", disse.
Mário Negromonte pediu demissão do cargo de ministro das Cidades nesta quinta-feira. Ele será substituído pelo colega de partido, o atual líder do PP na Câmara dos Deputados, Aguinaldo Ribeiro.
Troca-troca nos ministérios

O governo de Dilma Rousseff vem enfrentando sucessivas quedas de ministros desde os primeiros seis meses do mandato da presidente, sendo que sete deixaram os cargos por supostas irregularidades. O primeiro a cair foi Antonio Palocci (PT), ex-ministro da Casa Civil, no dia 7 de junho de 2011, após denúncias de que seu patrimônio teria aumentado 20 vezes em quatro anos, sob suspeita de tráfico de influência. Cerca de um mês depois, Alfredo Nascimento (PR) deixou o Ministério dos Transportes, após a descoberta de um suposto "mensalão" que seu partido teria montado dentro da pasta.

Nelson Jobim (PMDB) deixou o Ministério da Defesa, no dia 4 de agosto, depois de criticar publicamente colegas do primeiro escalão. No mesmo mês, Wagner Rossi (PMDB) pediu demissão do Ministério de Agricultura, enfraquecido por suspeitas de ligações com um lobista. Em setembro de 2011, Pedro Novais (PMDB) entregou seu cargo no Ministério do Turismo, após denúncias de que teria usado recursos públicos para pagar empregados de sua família.
No dia 26 de outubro, o então ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB), deixou o cargo depois que a imprensa noticiou supostas fraudes em contratos entre a pasta e organizações não-governamentais (ONGs). A suspeita de irregularidades envolvendo ONGs também foi motivo da queda do ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), em dezembro de 2011. No dia 2 de fevereiro de 2012, foi a vez do ministro das Cidades, Mário Negromonte (PP), desgastado por denúncia de que uma diretora da pasta teria adulterado um parecer técnico, superfaturando uma obra de mobilidade em R$ 700 milhões.



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***FRANCIS DE MELLO***

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