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quinta-feira, 8 de março de 2012

"A PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF TEM SUA PRIMEIRA DERROTA NO PARLAMENTO"


Dilma decide abrir cofre para conter base, mas sofre revés no Congresso.









Pressionada pelos partidos da base, a presidente Dilma Rousseff mandou abrir o cofre na tentativa de pacificar os aliados insatisfeitos com o controle sobre os gastos dos ministérios e com o arrocho imposto à liberação das emendas dos parlamentares em ano eleitoral. O movimento veio tarde e não foi capaz de abafar a rebelião da base, sobretudo do PMDB. O maior sinal do forte desgaste na relação com o Planalto foi a rejeição ontem à tarde da recondução de Bernardo Figueiredo para a presidência da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Figueiredo era avalizado pela presidente por ser um petista que coordena o projeto do trem-bala, prioridade do Planalto (leia texto abaixo). Irritada com a derrota, Dilma recuou e mandou segurar, na noite de ontem, a negociação para liberação das emendas.
'Foi um posicionamento político de pessoas que estão insatisfeitas. Existem insatisfações em vários partidos manifestadas no voto secreto. A gente tem que entender o recado, aprofundar as relações políticas e acabar com as defecções', disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), a respeito da rejeição ao indicado da presidente da República. 'Foram vários recados, do PMDB principalmente', completou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).
O primeiro gesto de pacificação da base dado pela presidente Dilma foi determinar à ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que se reunisse ontem à tarde com a colega do Planejamento, Miriam Belchior, para tratar da liberação de recursos para emendas orçamentárias de parlamentares que têm pressa de atender as bases eleitorais.
A presidente também pretende entrar pessoalmente em ação, para se reafirmar como interlocutora da base - papel que até então evitava assumir -, e não apenas do PT. Dilma vai participar mais regularmente de reuniões com parlamentares.
Em campo. A decisão de entrar em campo e abrir negociação para pacificar os partidos rebelados veio no embalo do manifesto do PMDB contra o tratamento 'privilegiado' do conjunto do governo ao PT, o que, para peemedebistas, põe em risco a eleição de prefeitos da sigla.
Na véspera, em reunião com o vice-presidente da República, Michel Temer, descontentes do PMDB das cinco regiões do País queixaram-se da 'falta de instrumentos e autonomia' dos ministérios para atender as bases.
'O pagamento das emendas não é favor: é direito nosso e está na lei orçamentária', protestou o líder peemedebista na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). 'O que o partido vai dizer na sua base? Em outubro houve um acordo com o governo para a liberação das emendas. Mas nada disso aconteceu. Pelo contrário, contingenciaram tudo.'
Segundo Henrique Alves, os ministérios não cumpriram de 30% a 40% dos empenhos autorizados pela própria presidente. Agora, Dilma determinou que sejam refeitos os cálculos para que as emendas sejam liberadas.
Coube ao PMDB aparecer como o pai da rebelião. Mas há insatisfação em todos os partidos da base, até mesmo do PT. Prova disso é que na reunião de líderes governistas, ontem, o apoio ao manifesto do PMDB foi geral. 'Todos os líderes da base disseram que queriam assinar o documento', assegurou Alves.
É diante deste cenário que Temer e os líderes peemedebistas deverão participar de uma reunião, ainda hoje com o Planalto.
Henrique Alves admite que a queixa geral na bancada é de que ministros do PMDB não têm autonomia para liberar um centavo. 'Estamos discutindo a relação com o governo e queremos tratamento equânime: o que derem ao PT, tem que ser dado ao PMDB', protesta o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).





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***FRANCIS DE MELLO***

2 comentários:

  1. A presidente Dilma Rousseff fará um 'intensivão' de política nos próximos dias. Para acalmar o PMDB - que apresentou manifesto com críticas ao governo e ao PT - e também os outros partidos aliados, Dilma já começou a passar 'mercúrio cromo' nas feridas da coalizão governista, como aconselhou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e na terça-feira irá ao Congresso.

    O motivo oficial da ida de Dilma à sessão solene do Congresso é a homenagem ao Dia Internacional da Mulher. No plenário do Senado, ela receberá o prêmio Bertha Lutz no mesmo dia em que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, comparecerá à Comissão de Assuntos Econômicos. Lá, Mantega será questionado sobre o pífio crescimento da economia e a crise no Banco do Brasil.

    A visita da presidente ao Congresso, porém, tem um significado que ultrapassa as efemérides. É, na prática, um sinal de que ela pretende inaugurar nova temporada de conversas políticas, mesmo a contragosto. Na noite de ontem, por exemplo, Dilma ficou furiosa ao saber que os senadores, principalmente os do PMDB, rejeitaram a recondução de Bernardo Figueiredo para a presidência da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e mandou segurar a negociação em curso para liberar agora as emendas parlamentares.

    Foi a resposta à derrota, mas, a partir da semana que vem, Dilma seguirá o script acertado com Lula: promoverá reuniões com as bancadas governistas e terá olhar mais atento à partilha dos cargos. O Planalto também está preocupado com a ausência de aliados na campanha de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura.

    As últimas movimentações do PMDB deixaram sequelas. Petistas dizem que o partido não tem do que reclamar, pois controla vários postos, como as superintendências da Funasa nos Estados.'Perdemos dois ministérios, levamos uma invertida e ainda somos acusados de brigar por mais espaço?', protestou o deputado André Vargas (PR), secretário de Comunicação do PT.

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  2. A presidente Dilma Rousseff "lamenta" a rejeição do nome de Bernardo Figueiredo, durante a votação no Senado para a sua recondução à direção-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), "mas respeita a decisão do Senado". A informação é do porta-voz da presidência da República, Thomas Traumann, que acrescentou que o governo vai enviar outro nome para avaliação dos senadores. A presidente, no entanto, não tem prazo para encaminhar esse novo nome. Por enquanto, fica no cargo de diretor-geral interino da ANTT o diretor Ivo Borges.

    Na manhã desta quinta-feira, 8, um dos interlocutores mais próximos da presidente Dilma Rousseff, o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, admitiu nesta que o Palácio do Planalto vive um "momento tenso" na relação com a base aliada.

    Carvalho também se referia à votação no Senado. Na quarta-feira, 7, o governo Dilma sofreu sua primeira derrota no ano no Congresso Nacional, com a rejeição do nome de Bernardo Figueiredo à direção-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), por 36 votos contrários e 31 favoráveis. Isso mesmo depois de a presidente mandar liberar verbas na tentativa de agradar aliados insatisfeitos com o controle sobre gastos dos ministérios e com o aperto na liberação de emendas dos parlamentares.

    "As nossas relações com os partidos são duráveis, passam por momentos tensos, por momentos mais calmos", disse Carvalho, após participar de seminário em Brasília. "É um momento tenso, mas que vamos dialogar, vamos conversar, entender. Não é hora de nenhuma declaração precipitada, é hora de entender que a democracia implica em vitória, derrota e vamos avançando."

    Para o ministro, a relação do governo com os partidos da base aliada é "suficientemente madura" e "bem fundamentada" para a "gente não sair rasgando as roupas de preocupação". "A gente vai com calma, conversar e recompor essa relação", disse Carvalho.

    Ao deixar o local do seminário, o ministro mostrou-se confiante de que o governo vai superar esse momento difícil na relação com os partidos.

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