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sexta-feira, 29 de junho de 2012

" ESPERAMOS CALAR O BOCA DE VEZ NA PRÓXIMA QUARTA FEIRA É VEZ DOS CORINTIANOS FAZER A FESTA"







Saiba mais sobre saga corintiana na Bombonera, o "estádio que pulsa".
















Torcida do Boca Juniors fez festa impressionante diante do Corinthians em La Bombonera. Foto: Getty Images
Torcida do Boca Juniors fez festa impressionante diante do Corinthians em La Bombonera
Foto: Getty Images


"La Bombonera não treme, pulsa. Pulsa no compasso dos corações azuis e ouro, que todos os domingos sofrem, riem e choram por essa paixão inigualável". A definição do que é jogar no estádio do Boca Juniors não poderia ser melhor representada do que por essa frase, tradicional nas ruas de Buenos Aires e motivo de orgulho xeneizes. E foi exatamente isso que o Corinthians encontrou na última quarta-feira: um estádio apaixonado, que empurrou o time argentino do começo ao fim e não titubeou nem após o empate por 1 a 1 na ida da final da Libertadores 2012.
A torcida boquense é coisa rara. Os argentinos começaram ao entrar na Bombonera por volta das 20h, duas horas antes do confronto decisivo. Do lado de fora, a festa começava por todos os cantos: cachecóis, bandeiras, faixas... O caldeirão começou a se postar cedo, e a paixão dos xeneizes pelo clube estava escancarada nos olhos de cada um dos 50 mil fanáticos presentes.
É claro: todo torcedor de futebol é apaixonado pelo time do coração. Mas o que acontece em La Bombonera com os boquenses é algo diferente de paixão. Especialmente na organizada localizada atrás do gol, a La Doce, ao lado direito dos camarotes, o que se passa naquele estádio nas horas que correspondem às partidas do Boca Juniors é uma mistura de sentimentos ainda não definidos.
A sensação que dá é que 50 mil pessoas só estão ali para cantar. Cantar, pular, pular, cantar. O tempo todo. Claro que os setores elitizados tendem a fazer menos pressão que a principal organizada do clube, é assim também no Brasil e em todos os lugares do mundo. A diferença é que um visitante que vê um jogo em La Bombonera sente o estádio pulsar com o time. A equipe pulsa. A arquibancada pulsa. "É como o batimento de um coração", define um torcedor.
Primeiro contato com o caldeirão da Bombonera
O Corinthians sentiu o que era o caldeirão da Bombonera uma hora antes do jogo. Ao subir para aquecer, foi recepcionado com uníssonos gritos de "Dale Bo, Dale Bo, Dale Bo, Dale Boca, Dale oooo". A acústica do estádio contribui para a manutenção do mito, já que o volume das arquibancadas parece ser aumentado em centenas de vezes. E, a partir dali, a torcida não parou mais de cantar. Em nenhum momento.
Os boqueses receberam seu time com uma linda festa, com milhares de papéis picados, fogos de artifício, guarda-chuvas coloridos, bandeirão, bexigas, dezenas e dezenas de faixas. A festa preparada pela arquibancada era coisa indescritível. "Sempre estarei ao seu lado, Boca Juniors", "Vivo para te amar, meu Boca", "Você é minha vida, Boca Juniors", eram alguns dos dizeres vindos das arquibancadas. Inenarrável.
Primeiro tempo morno até gol boquense no fim
E a torcida não se calou nem após Riquelme levar um cartão amarelo e o primeiro tempo se encerrar sem gols, com morna atuação do time da casa. "O Boca Juniors é a alegria do meu coração. É a minha vida, minha paixão. Mas além de toda a explicação, a mim não interessa em que campo jogue, como local ou visitante tenho que ir te ver. Nem a morte vai nos separar, vou ao céu torcer por voce. Sou do Boca", cantavam os fanáticos. Arrepiante.
O curioso é que cerca de 50 torcedores ficam em pé nas cadeiras na ala reservada à principal organizada do clube, a 12, sem sequer olhar para o jogo. Permanecem apenas impedindo que os demais se sentem ou descansem, obrigando-os a permanecer em pé, pulando e cantando pelo time. O primeiro a transparecer cansaço é repreendido e forçado a seguir apoiando até o fim. Assim é La Doce. E é assim também que o Boca chegou ao gol, aos 27min do segundo tempo, com Roncaglia. La Bombonera veio abaixo.
Torcida corintiana surge e contribui para reação
O caldeirão se multiplicou após o tento. Parecia que a partir dali o Boca poderia fazer dois, três, quatro, doze gols, tamanho era o ímpeto das arquibancadas em empurrar o time. Só que, do outro lado, em um canto espremido de anel superior do estádio, estava a torcida visitante, também famosa por sua entrega e por não se calar jamais. Sim, ela estava ali também: a fiel "hinchada" do Corinthians. E inventou um jeito de amansar o rival: atirar sinalizadores ao gramado, atrasando o jogo.
Por curiosidade, o Boca Juniors havia solicitado aos seus torcedores que não levassem sinalizadores para evitar problemas com o clube e a Conmebol. Os corintianos não se sentiram incluídos no pedido. Os alto-falantes exigiram calma. Os boquenses nas arquibancadas vaiaram. E os jogadores corintianos olharam para o alto e lembraram que não estavam sozinhos naquele caldeirão azul-dourado. Haviam outros três, quatro mil "loucos do bando" que viajaram só por eles.
Gol do Corinthians, empate e festa dos dois lados
O Corinthians, que não havia dado um ataque perigoso sequer, conseguiu um milagroso empate. Paulinho roubou de Riquelme no meio e tocou para Emerson, que passou pela marcação e deu para Romarinho: "faz". O jovem não decepcionou e, em seu único toque na bola, três minutos depois de sair do banco de reservas e entrar em campo, encobriu o goleiro e deixou tudo igual. Era o heróico empate corintiano, que deixava o clube a apenas uma vitória da tão sonhada Taça Libertadores, troféu que o Boca já tem seis.
Os corintianos foram ao delírio. Os boquenses atrás do gol, também. Isso mesmo: eles não pararam de gritar: "eu sou do Boca, e te sigo por todos os lados. Não me importa onde jogue, eu vou te apoiar. Passam jogadores, anos, campeonatos, e sigo o Boca Juniors aonde vá. Não me importa se ganha ou se perde". É, fazia sentido. O jogo acabou, o Boca empatou em casa e terá que decidir o título fora de casa, mas as arquibancadas festejavam. Afinal, era o Boca Juniors que estava em campo. Pareciam felizes por isso apenas.
Agora, a parada é no Pacaembu, reduto de outra apaixonada torcida sul-americana. Torcida que, aliás, deu mostras de sua entrega e devoção pelo clube do coração nesta semana na Argentina, onde mais de três mil corintianos viajaram até sem ingressos, dormiram nas ruas e deram todas as provas possíveis de amor. "Dizem que a torcida do Corinthians é a mais popular e apaixonada do Brasil como é a do Boca aqui, não é?", perguntou um torcedor argentino à reportagem. Que descubra na próxima quarta-feira.






Boca x Corinthians: veja comparativo e escolha os melhores de cada posição.






***FRANCIS DE MELLO***







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