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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

"AOS HOMENS CRISTÃOS SOLTEIROS"


"QUEM REALMENTE PRETENDE SER ESTE HOMEM SOLTEIRO?"



imagesQUEM REALMENTE PRETENDE SER ESTE HOMEM?





Essa semana enquanto lia o blog Desiring God, ministério do John Piper, me deparei com um artigo que me chamou muito a atenção. Era um artigo destinado aos jovens cristãos solteiros e tinha como título “Single, Satisfied and Sent: Mission for the Not-Yet Married” (Solteiro, Satisfeito e Enviado: Missão para os ainda não casados)¹. O artigo disserta acerca de como os cristãos podem servir a Deus e à causa do Evangelho enquanto ainda solteiros. Isso me fez refletir acerca de uma série de coisas que tenho visto em nossa cultura gospel brasileira e até mesmo sobre a minha postura como um rapaz cristão e solteiro.
Hoje existe em nosso meio evangélico uma série de movimentos que visam sensibilizar os jovens cristãos acerca da pureza sexual. Embora concorde com a motivação de tais movimentos, a acho totalmente moralista e com pouquíssimo embasamento bíblico. Uma vez que não deixa claro as atribuições que o homem e a mulher devem ter em um relacionamento e em uma família, de acordo com os padrões que a própria Bíblia estabelece. Entretanto, uma das coisas que acho mais terrível nesses movimentos é a supervalorização do casamento apenas como um meio de satisfação sexual, ao mesmo tempo que a solteirice é vista como um período de provação e que obrigatoriamente vai passar, como um sinal da bondade de Deus. É como se funcionasse mais ou menos assim: eu me guardo sexualmente e Deus tem obrigação de me dar um casamento porque permanecer solteiro é uma maldição.
Em contraposição a essa forma totalmente antibíblica de pensar, tenho percebido que Deus em sua infinita misericórdia por nossa geração tem levantando um novo “movimento”, por assim dizer, entre os jovens reformados. São os chamado “machos bíblicos” e as “mulheres piedosas” que se dispõem a viver tanto a masculinidade como a feminilidade de forma bíblica, a fim de construir casamentos e famílias que honrem a Deus e expresse a Sua glória em nossa sociedade decaída. Segundo essa ótica bíblica, é dever do homem cristão trabalhar de modo digno e cortejar uma mulher a fim de casarem e a ele amar sua esposa como Cristo a amou, enquanto ela deve submeter-se a ele em amor e assim formarem uma família da aliança.
Eu concordo plenamente com essa visão, e eu mesmo tenho buscado a cada dia ser também um “macho bíblico”, vivendo minha masculinidade de acordo com a Bíblia. Entretanto, às vezes, o que sinto falta nessa abordagem, sobretudo do papel do homem, é a questão dos solteiros. É verdade que as pessoas que não se casam são uma exceção tanto na Bíblia como nos dias de hoje e por isso devemos dar atenção àquilo que a Bíblia enfatiza. Por outro lado, não podemos nos esquecer que as exceções existem e estão registradas na Bíblia de maneira singular.
Tanto Jesus como Paulo eram homens solteiros e afirmam claramente que o casamento além de ser um ministério, não é algo destinado a todos os homens. Jesus fala em Mateus 19.25 que existem pessoas que não se casam a fim de se dedicarem exclusivamente ao Reino de Deus. Paulo argumenta o mesmo ao longo de todo o capítulo 7 de 1 Coríntios e até mesmo aponta o quanto é algo louvável não se casar a fim de dedicar toda uma vida por completo em prol do avanço do Reino de Deus na Terra.
Tais ensinamentos parecem não mais fazerem sentido hoje em dia e quase inconcebível que um jovem decida não se casar ou demore a casar-se porque quer dedicar um certo tempo de Sua vida exclusivamente a Deus, sendo por exemplo, missionário em lugares onde o Evangelho nunca foi pregado e em que há uma série de riscos aos que desejam serem cristãos. É verdade que o padrão de Deus para os homens é que eles se casem, mas ainda assim há exceções, há aqueles que abrem mão do casamento em prol do Reino, e isso é algo que não pode ser negligenciado. Ao contrário, deveria até mesmo ser incentivado, como fez Paulo.
É necessário desenvolvermos uma teologia da solteirice (não gosto da palavra celibato). Não podemos deixar que o casamento se torne um ídolo em nossa cultura cristã, como o era na cultura judaica. É certo que o casamento tinha uma função redentiva no Antigo Testamento e ainda hoje é importante que hajam famílias da aliança em nossas sociedades. Porém não podemos nos esquecer daqueles que se farão “eunucos pelo Reino de Deus” como afirmou Jesus.
Vivemos um momento crítico na História, em que milhares de povos nunca ouviram a pregação do Evangelho de Cristo, os quais estão situados basicamente em uma mesma região do mundo. Estamos diante da última fronteira missionária, o Islã, e ultrapassá-la requer a coragem e o sangue de homens de verdade que estão dispostos a abrirem mão de tudo para que Cristo tenha supremacia sobre Maomé. Até mesmo de uma esposa, família e filhos. É tempo de a Igreja entender e promover isso. Como o próprio Paulo argumentou, é mais fácil ser um missionário solteiro do que casado.
É por isso que é necessário que homens se disponham a isso. Hoje dois terços dos missionários ativos no campo são casais. Outro terço são mulheres solteiras e só o resto é que são homens solteiros.² Não podemos deixar que o feminismo atinja também a Igreja. A pregação do Evangelho e o pastoreio dos crentes sempre foi um dever explicitamente masculino. Mas para a nossa vergonha, os homens da nossa geração tem se calado como Adão, não tem tomado a posição que lhes cabem e por isso Deus tem levantado por mulheres para irem ao campo missionário. Obreiras fiéis, que apesar de todas as dificuldades, tem cumprido o chamado do Senhor. Vale ressaltar que muitas dessas dificuldades se dão exatamente pelo fato de essa ser uma tarefa principalmente para homens. Por isso, faz-se extremamente necessário a presença de homens missionários que estejam dispostos a gastarem suas vidas no campo pregando o Evangelho fielmente, pastoreando novas comunidades e quem sabe, até mesmo liderando ao casamento as obreiras fiéis que lá já estão.
Não proponho que todos sejam solteiros, até porque não é isso o que a Bíblia diz e eu mesmo espero me casar. O que quero salientar é que o casamento não pode se tornar mais um ídolo da nossa geração. Ao mesmo tempo, me entristeço ao ver tantos jovens cristãos desperdiçando seus anos de solteiro sem fazer nada em prol do Reino. Embora me refira aqui em especial aqueles que abrem mão de tudo para servirem a Deus em outras nações, o mesmo também se aplica às nossas igrejas locais.
Assim, o desafio que me faço diariamente e que gostaria de estendê-lo aos demais “machos bíblicos” da minha geração é esse. Que realmente desejemos um dia nos casar e liderar uma família. Mas mais do que isso, que ansiemos ver a expansão do Reino de Deus na Terra e Cristo sendo exaltado entre as nações. Que nossa maior ambição não seja casar, mas sim a glória global de Deus e a expansão do Evangelho onde estivermos; e for a vontade de Deus, encontraremos alguém que esteja em busca do mesmo. Como diziam os morávio, “Que o Cordeiro receba a recompensa dos Seus sofrimentos através de nós!”
***FRANCIS DE MELLO***


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